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Rio reforça alerta para prevenção de afogamentos após desaparecimento de adolescente em Arraial do Cabo

Dados da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático indicam que uma pessoa morre afogada no Brasil a cada 90 minutos

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O desaparecimento do adolescente Juan Guilherme Martins da Silva, de 14 anos, em Arraial do Cabo, na Região dos Lagos, reforçou o alerta das autoridades sobre os riscos de afogamento no litoral fluminense, especialmente durante o inverno, período marcado por ressacas e correntes marítimas mais intensas.

Nesta terça-feira (21), o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ) entrou no quinto dia consecutivo de buscas pelo jovem, morador do Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio. Juan desapareceu na manhã da última sexta-feira (17), por volta das 10h, depois de ser arrastado por uma forte correnteza na Praia do Pontal.

Segundo testemunhas, a praia costuma apresentar águas calmas. No entanto, as condições do mar mudaram drasticamente por causa dos ventos intensos e da ressaca que atingem a costa fluminense, dificultando tanto a permanência de banhistas na água quanto o trabalho das equipes de resgate.

As buscas são realizadas de forma ininterrupta por militares do 18º Grupamento de Bombeiro Militar (Cabo Frio), com o apoio de mergulhadores especializados do Grupamento de Busca e Salvamento (GBS), da Barra da Tijuca.

O caso de Juan não foi o único registrado nos últimos dias. Também em Arraial do Cabo, um bombeiro militar que estava de folga resgatou quatro pessoas que se afogavam na Praia Grande. Duas vítimas precisaram de atendimento hospitalar e já receberam alta, evidenciando como o mar revolto tem aumentado o número de ocorrências na Região dos Lagos.

Os números do Corpo de Bombeiros mostram a dimensão do problema. Entre 1º de janeiro e 19 de julho deste ano, a corporação realizou 828.102 ações de prevenção nas praias do estado e salvou 11.143 banhistas. Especialistas alertam que as correntes de retorno, responsáveis por cerca de 80% dos afogamentos no Rio de Janeiro, são o principal fator de risco para quem entra no mar.

O problema também preocupa em todo o país. Dados da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (SOBRASA) indicam que uma pessoa morre afogada no Brasil a cada 90 minutos, o equivalente a aproximadamente 5.742 mortes por ano. O afogamento figura entre as principais causas de morte de crianças e adolescentes, e a maioria das vítimas não chega a receber atendimento hospitalar.

Diante desse cenário, a SOBRASA promove, no próximo sábado (25), um curso gratuito de prevenção e atendimento a emergências aquáticas na Praia de Copacabana, no Posto 6, das 9h às 12h. A capacitação é aberta ao público e ensinará técnicas para reconhecer áreas de risco, identificar correntes de retorno, acionar corretamente os guarda-vidas e prestar os primeiros socorros até a chegada do resgate.

A orientação dos especialistas é que banhistas respeitem a sinalização das praias, evitem entrar no mar durante períodos de ressaca e nunca subestimem a força das correntes marítimas, mesmo em locais tradicionalmente conhecidos por águas tranquilas.