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STJ decide que homicídio de vítima com filhos menores pode aumentar pena do condenado

Entendimento passa a ser obrigatório em todo o país

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Reprodução

A morte de uma pessoa que deixa filhos menores poderá resultar em uma pena mais severa para o autor do homicídio. O entendimento foi firmado pela Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que decidiu que essa circunstância pode ser considerada pelo juiz na fixação da pena-base do condenado.

A tese foi estabelecida durante o julgamento do Tema 1.394, sob o rito dos recursos repetitivos. Com isso, o entendimento passa a ser de aplicação obrigatória por todos os tribunais do país em casos semelhantes, conforme prevê o Código de Processo Civil (CPC).

Segundo o relator do processo, ministro Reynaldo Soares da Fonseca, a morte da vítima é um resultado inerente ao crime de homicídio. No entanto, quando o crime deixa crianças ou adolescentes órfãos, as consequências extrapolam os efeitos normalmente esperados da infração penal e podem justificar o aumento da pena.

Para o ministro, a perda do pai ou da mãe representa impactos profundos na vida dos filhos, comprometendo não apenas o sustento familiar, mas também o desenvolvimento emocional, psicológico e social das crianças e adolescentes.

“O estado de orfandade decorrente do homicídio configura uma consequência que ultrapassa o resultado típico do crime e pode ser valorada na dosimetria da pena”, destacou o relator durante o julgamento.

O STJ ressaltou que o aumento da pena não será automático sempre que a vítima deixar filhos menores. A decisão caberá ao magistrado responsável pelo processo, que deverá analisar as circunstâncias específicas de cada caso e apresentar fundamentação para eventual elevação da pena-base.

A Corte também definiu que não será exigida a comprovação de um prejuízo extraordinário ou individualizado aos filhos da vítima. Para os ministros, a própria condição de orfandade já representa uma consequência relevante que pode ser considerada na primeira fase da dosimetria da pena.

Como o julgamento ocorreu sob o rito dos recursos repetitivos, a tese fixada pelo STJ passa a orientar obrigatoriamente as decisões das instâncias inferiores, uniformizando a interpretação da legislação penal em todo o Brasil.

A decisão reforça o entendimento de que as consequências do homicídio devem ser avaliadas para além da morte da vítima, levando em consideração os impactos causados aos familiares diretamente atingidos pelo crime, especialmente crianças e adolescentes que ficam órfãos.