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Brasil registra maior número de mortes por intervenção policial em dez anos

Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta aumento de 5,4% nas mortes decorrentes de intervenção policial em 2025

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O Brasil registrou, em 2025, o maior número de mortes decorrentes de intervenção policial da última década. Foram 6.602 vítimas, um aumento de 5,4% em relação ao ano anterior e de 55,7% na comparação com os últimos dez anos.

Os dados inéditos foram divulgados nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, durante o lançamento da 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

De acordo com o levantamento, uma em cada seis mortes violentas intencionais no país foi causada por policiais civis ou militares. O relatório aponta que o uso da força letal por agentes de segurança segue em crescimento e afirma que o cenário evidencia desafios no controle da atividade policial.

As mortes violentas intencionais englobam homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenções policiais, tanto em serviço quanto fora dele.

Operação no Rio influenciou os números

Segundo o anuário, a Operação Contenção, realizada em outubro de 2025 nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, teve impacto significativo nos indicadores. A ação terminou com 122 mortos, dos quais cinco eram policiais.

O Fórum destaca que a operação respondeu por cerca de 15% de todas as mortes causadas por policiais no estado do Rio de Janeiro ao longo do ano e por 2% do total registrado no país.

Para a diretora executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno, casos como esse evidenciam fragilidades nos mecanismos de fiscalização das ações policiais e levantam questionamentos sobre a atuação das forças de segurança em áreas dominadas por diferentes facções criminosas.

Estados com maior letalidade policial

Pelo sétimo ano consecutivo, o Amapá apresentou a maior taxa de mortes decorrentes de intervenção policial do país. Na sequência aparecem Bahia, Sergipe e Pará, os mesmos estados que lideraram o ranking em 2024.

O anuário também aponta que o aumento da letalidade policial varia conforme a realidade de cada estado. No Paraná, por exemplo, houve crescimento de 20% nas mortes, mesmo sem mudanças significativas na dinâmica criminal, o que, segundo o estudo, pode indicar uma diretriz institucional voltada ao confronto. Já o Maranhão registrou alta de 84%, cenário associado à intensificação dos conflitos entre facções criminosas.

Perfil das vítimas

O levantamento mostra que a maioria das vítimas de intervenção policial é formada por homens (99,3%), pessoas negras (82%) e jovens entre 20 e 29 anos, faixa etária que concentra 46% dos casos.

Segundo o Fórum, uma pessoa negra tem 3,5 vezes mais chances de morrer em uma intervenção policial do que uma pessoa branca, evidenciando a desigualdade racial presente nos indicadores de violência no país.