Os alertas de desmatamento na Amazônia e no Cerrado apresentaram queda em 2025, segundo dados divulgados nesta semana pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Na comparação com 2024, a redução foi de aproximadamente 9% nos dois biomas, resultado que confirma uma tendência recente de recuo, embora ainda revele extensas áreas sob forte pressão ambiental.
Os números se referem às áreas identificadas pelo sistema de monitoramento do Inpe como sob alerta de desmatamento, indicador que antecede a confirmação do corte raso da vegetação e orienta ações de fiscalização do poder público.
Terceiro ano de queda na Amazônia
Na Amazônia, os alertas totalizaram 3.817 km² em 2025, frente a 4.183 km² registrados em 2024, o que representa uma redução de cerca de 8,7%. O resultado marca o terceiro ano consecutivo de diminuição da área sob alerta no bioma.
Em 2023, o total havia sido significativamente maior, com 5.156 km², reforçando a trajetória de queda observada nos dois anos seguintes. Apesar disso, especialistas destacam que o patamar ainda é elevado e exige manutenção das políticas de controle e fiscalização.
Estados concentram a maior parte do desmate
O ranking por estado mostra que o desmatamento segue concentrado em algumas unidades da federação. O Mato Grosso liderou os alertas em 2025, com 1.497 km², quase metade de toda a área registrada na Amazônia ao longo do ano. O volume é o terceiro maior da série histórica iniciada em 2015 e representa um aumento de quase 60% em relação a 2024.
Na sequência aparecem o Pará, com 979 km², e o Amazonas, com 721 km². Apesar de continuarem entre os estados com maiores áreas sob alerta, ambos apresentaram melhora na comparação anual. O Pará registrou redução de 36%, enquanto o Amazonas teve queda de 9%.
Cerrado também apresenta recuo
No Cerrado, os alertas de desmatamento somaram 5.357 km² em 2025, ante 5.901 km² no ano anterior, o que corresponde a uma redução de aproximadamente 9,2%. Esse é o segundo ano consecutivo de queda no bioma, após um período de forte avanço do desmate.
Os estados com maiores áreas sob alerta foram Maranhão, com 1.190 km², Tocantins, com 1.133 km², e Piauí, com 1.005 km². Os três integram a região conhecida como Matopiba, fronteira agrícola marcada pela expansão do agronegócio e historicamente associada a elevados índices de supressão de vegetação nativa.
Ações de fiscalização e desafios persistentes
Segundo o Ministério do Meio Ambiente, a redução dos alertas está ligada ao reforço das ações de fiscalização e controle em áreas consideradas prioritárias. Após as queimadas recordes registradas em 2024, o governo federal intensificou a presença de órgãos ambientais nesses territórios.
De acordo com a avaliação da pasta, o aumento da vigilância e das operações integradas vem contribuindo para a diminuição dos alertas de desmatamento, embora os níveis ainda sejam considerados altos, especialmente em regiões com pressão do avanço agropecuário e da grilagem de terras.
Os dados divulgados pelo Inpe indicam que a reversão da tendência de alta registrada em anos anteriores está em curso, mas também reforçam que a consolidação dessa queda depende da continuidade das políticas públicas de proteção ambiental e do combate às atividades ilegais nos dois principais biomas do país.






