A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) promete reforçar a fiscalização dos voos panorâmicos realizados no Rio. A medida ocorre após uma sequência de acidentes com helicópteros na cidade, sendo o último na região da Vista Chinesa, no Alto da Boa Vista na manhã de sábado (8). Quatro pessoas morreram.
A ideia é verificar as condições das aeronaves, dos pilotos e das empresas que atuam no segmento de Serviços Aéreos Especializados (SAE). A prioridade será a operação de voos panorâmicos.
A Anac também mantém contato com a Prefeitura do Rio para definir uma atuação conjunta. A iniciativa busca ampliar o controle sobre esse tipo de serviço e reforçar a segurança das operações.
As quatro vítimas do acidente do último sábado são o piloto Alessandro Rocha, de 40 anos e as turistas colombianas Rocio Cubillos, de 59 anos, Wendy Manrique, de 37, e Sofia Murillo, de 17.
Mais de 60 vôos panorâmicos por dia
O reforço da fiscalização ocorre em um mercado que cresceu rapidamente nos últimos anos. O Rio registra em média 68 voos turísticos de helicóptero por dia, segundo o Ministério Público Federal (MPF). Entre outubro de 2025 e abril de 2026, levantamentos da Aeronáutica apontaram que 28% das operações realizadas a partir de Jacarepaguá ocorreram abaixo do limite de 500 pés (150 metros), sendo os helicópteros responsáveis por 65% das infrações.
No mesmo período, a frota da cidade avançou 29%, passando de 247 aeronaves em 2023 para 319 em 2026, de acordo com a Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag). Entre 2024 e 2025, o MPF firmou compromissos com 14 empresas do setor para aprimorar protocolos de segurança. Entre elas estava a VRP, proprietária da aeronave que caiu na Vista Chinesa.
28% das aeronaves ficaram abaixo de 150 metros
Todo helicóptero ou avião que pousa ou decola no Aeroporto de Jacarepaguá precisa cruzar as avenidas das Américas e Abelardo Bueno a pelo menos 150 metros de altura, segundo as regras citadas na investigação do MPF.
A medida busca aumentar a segurança e reduzir o impacto do ruído sobre os moradores da região.
Um levantamento da Aeronáutica, porém, apontou que 28% das aeronaves que passaram pelo aeroporto entre outubro de 2025 e abril de 2026 voaram abaixo dos 500 pés, equivalentes a 150 metros.
Dez mortos em menos de dois meses
A queda na Vista Chinesa ocorreu 55 dias após outro acidente fatal no Rio. Em 14 de junho, dois helicópteros colidiram no ar na região do Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste. As aeronaves caíram no pátio de uma concessionária. Seis pessoas morreram. Somados, os dois acidentes deixaram dez mortos em menos de dois meses.








