O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, estabeleceu prazo de 60 dias para que a Polícia Federal apresente relatório final sobre as investigações envolvendo o Banco Master. A corporação deverá indicar no documento se há autoridades com foro privilegiado citadas no inquérito.
Ao final do prazo, Mendonça decidirá se o processo continua no STF ou se será remetido à primeira instância.
A definição ocorreu após reunião entre o ministro e investigadores responsáveis pela chamada operação Compliance Zero. A PF deverá apresentar análise completa do material apreendido, incluindo dados extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, apontado como principal investigado.
Citações e possível foro privilegiado
Mensagens encontradas no aparelho mencionam o ministro Dias Toffoli e outras lideranças políticas. Até o momento, não há comprovação de envolvimento direto dessas autoridades nas supostas fraudes com carteiras de crédito consignado.
Nos bastidores, a avaliação é que, caso se confirme a presença de autoridades com foro, há tendência de o caso permanecer no Supremo. Mendonça também considera que as diferentes frentes de investigação estão interligadas, o que poderia dificultar eventual desmembramento.
Sigilo reforçado
Desde que assumiu a relatoria, o ministro determinou que as informações da investigação sejam compartilhadas exclusivamente com agentes diretamente envolvidos no caso, reforçando o dever de sigilo inclusive dentro da própria corporação. A medida foi interpretada como um protocolo para evitar vazamentos.
Mendonça assumiu o processo após o ministro Dias Toffoli deixar a relatoria, depois de questionamentos sobre possível suspeição. O atual presidente do STF, Edson Fachin, foi comunicado pela Polícia Federal sobre o caso.
Com a entrega do relatório final, caberá ao relator decidir o futuro da investigação — se continuará sob competência do Supremo ou seguirá para a Justiça Federal de primeira instância.






