A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou um novo medicamento para o tratamento da doença de Alzheimer no Brasil. O aval foi concedido ao lecanemabe, comercializado com o nome Leqembi, desenvolvido pelas farmacêuticas Biogen e Eisai. Ainda não há previsão de quando o remédio chegará ao mercado brasileiro.
O Leqembi foi autorizado para o tratamento de pacientes adultos com comprometimento cognitivo leve ou demência leve associada à doença de Alzheimer, ou seja, nos estágios iniciais do quadro. Para receber o medicamento, é necessário que o paciente tenha a presença das placas de proteína amiloide no cérebro confirmada por exames específicos.
Além disso, a indicação exclui pacientes portadores da mutação no gene APOE-e4, fator genético que aumenta tanto o risco de Alzheimer quanto a probabilidade de efeitos colaterais graves associados ao tratamento. A aprovação foi publicada no Diário Oficial da União no fim de dezembro.
O Leqembi integra uma nova geração de anticorpos monoclonais antiamiloide, assim como o donanemabe (Kisunla), aprovado no Brasil em abril do ano passado. Esses medicamentos são os primeiros a demonstrar capacidade de modificar, ainda que de forma modesta, a evolução da doença, reduzindo o ritmo da perda cognitiva.
Segundo o neurocientista Mychael Lourenço, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o avanço é relevante, embora não represente uma cura. “Não é a cura, mas proporciona um atraso da progressão do quadro clínico do paciente”, explica.
O medicamento age ligando-se às placas de proteína amiloide que se acumulam ao redor dos neurônios, promovendo sua eliminação. O tratamento é feito por infusão intravenosa a cada duas semanas, em ambiente hospitalar, com sessões que duram cerca de uma hora.
Nos estudos clínicos, realizados ao longo de 18 meses, o Leqembi apresentou uma redução de aproximadamente 27% no ritmo da perda cognitiva. Apesar do resultado, o tratamento enfrenta limitações como o alto custo e o risco de efeitos adversos, incluindo edemas e hemorragias cerebrais.
Ainda não há definição de preço no Brasil, que depende de avaliação da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Nos Estados Unidos, o custo anual do tratamento gira em torno de 26,5 mil dólares. Especialistas avaliam que, pelo valor elevado e pelo perfil restrito de indicação, o medicamento não deve ser incorporado ao Sistema Único de Saúde neste momento.
Mesmo com as restrições, pesquisadores destacam que a aprovação representa um avanço importante após anos sem novas opções terapêuticas para o Alzheimer e reforça perspectivas positivas para o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes no futuro.






