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Apostas esportivas online afetam acesso e permanência de jovens na educação superior

Endividamento com apostas online já levou 14% dos estudantes a trancar ou atrasar a faculdade

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Uma pesquisa divulgada em abril de 2025 pela Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior (Abmes), em parceria com o Educa Insights, revelou que os gastos com apostas esportivas online estão interferindo no acesso e na permanência de jovens na educação superior, especialmente nas instituições privadas.

Segundo o estudo, 14% dos estudantes já atrasaram ou trancaram a matrícula devido a dívidas com apostas — índice que sobe para 17% nas classes B1 e B2. Além disso, 35% dos entrevistados afirmaram que só poderão continuar os estudos se interromperem os gastos com as chamadas “bets”.

Para um em cada três jovens (34%), foi necessário parar de apostar para conseguir ingressar na faculdade no primeiro semestre de 2025. A pesquisa ouviu estudantes de 18 a 35 anos, de diferentes classes sociais e regiões do país.

Os valores apostados variam conforme a classe social: alunos da classe A investem, em média, R$ 1.210 mensais nas apostas; nas classes D e E, esse valor é de R$ 421. Em geral, os estudantes comprometem 5% da renda com as apostas, mas, entre os mais pobres, esse percentual chega a 10%.

O diretor-geral da Abmes, Paulo Chanan, alertou para o agravamento do cenário em comparação com o levantamento anterior, divulgado em setembro de 2024.

O perfil dos apostadores pouco mudou entre as duas edições: 85% são homens, 85% trabalham, 72% têm filhos e a maioria pertence às classes B (38%) e C (37%). A faixa etária predominante vai dos 26 aos 35 anos e 79% têm como principal fonte de renda o salário.

A adesão às apostas também varia por região e classe social. No Nordeste e no Sudeste, está a maior concentração de jovens que adiaram a entrada na faculdade por conta das apostas. Entre os ingressantes no primeiro semestre de 2025, 44% estavam no Nordeste e 41% no Sudeste. No Sul e no Centro-Oeste, os números são menores: 17% e 18%, respectivamente, afirmaram que precisaram parar de apostar para estudar.

Outro dado relevante mostra que 52% dos entrevistados apostam com frequência (entre uma e três vezes por semana), um aumento em relação à edição anterior do estudo, quando esse índice era de 42,8%.

A projeção para o início de 2026 é preocupante: dos 2,9 milhões de potenciais ingressantes, cerca de 986 mil (34%) podem não efetivar matrícula devido ao comprometimento financeiro com as apostas online.

Segundo Daniel Infante, diretor do Educa Insights, o impacto financeiro das apostas representa um novo desafio para o setor educacional. “O estudo mostra que o mercado educacional ganha um novo concorrente pelo bolso do aluno potencial. Isto, aliado às mudanças regulatórias em curso, pode afetar significativamente o mercado potencial para o ensino superior privado no país”, afirmou.