A colisão entre dois helicópteros registrada na manhã do último domingo (14), no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, trouxe à tona um debate sobre a segurança das operações aéreas em áreas sem controle direto de tráfego aéreo. ,O acidente ocorreu em uma região considerada estratégica para a circulação de aeronaves, onde diferentes modalidades de voo compartilham o mesmo espaço aéreo sem a orientação permanente de controladores.
Enquanto a Polícia Civil avança na investigação para esclarecer as circunstâncias da ocorrência, especialistas do setor apontam que a dinâmica operacional da região exige atenção redobrada dos pilotos e cumprimento rigoroso dos procedimentos de navegação.
As apurações buscam reconstruir os trajetos percorridos pelas aeronaves e analisar os planos de voo apresentados antes da decolagem.
O local onde ocorreu a colisão integra uma zona conhecida pela intensa movimentação de aeronaves no Rio de Janeiro. Apesar de possuir rotas previamente definidas, o espaço não conta com controle permanente de tráfego aéreo.
Nessas condições, os pilotos operam em uma chamada frequência de autocoordenação, sistema no qual as próprias tripulações informam suas posições, intenções de voo e deslocamentos para as demais aeronaves que compartilham a região.
Além dos helicópteros, o espaço aéreo do Recreio dos Bandeirantes também recebe atividades de parapente, paraquedismo e voos de ultraleves, aumentando a complexidade operacional.
Uma fonte ligada à NAV Brasil, empresa estatal responsável pelos serviços de navegação aérea, explicou à CNN que a ausência de controle direto pode ampliar os desafios para os pilotos durante a tomada de decisões em voo.
“Isso é uma coisa potencialmente perigosa, porque sem informação precisa, ou sem restrições feitas por um controlador, essas aeronaves sobem no ritmo e na velocidade, na posição em que elas quiserem”, diz a fonte.
Segundo especialistas, a autocoordenação funciona de forma segura quando todos os procedimentos são cumpridos rigorosamente. No entanto, qualquer falha de comunicação ou interpretação pode aumentar o risco de conflitos entre aeronaves.
Acidente ocorreu fora da área controlada
As informações preliminares indicam que a colisão aconteceu nas proximidades da Avenida das Américas, no Recreio dos Bandeirantes, em uma área situada fora do espaço aéreo controlado pelo Aeroporto de Jacarepaguá.
Embora uma parcela da região esteja sob supervisão da torre de controle do aeroporto, o local exato do acidente encontra-se além desses limites operacionais.
Uma das aeronaves envolvidas havia partido justamente do Aeroporto de Jacarepaguá e transportava o piloto Alexandre Souza, o cantor norte-americano Oliver Tree, os argentinos Lucas Vignale e Gaspar Prim, além do produtor musical Lucas Frota.
Na área onde ocorreu o acidente, os pilotos devem seguir as regras previstas no Regulamento Brasileiro da Aviação Civil (RBAC 91), que estabelece procedimentos para operações visuais e por instrumentos, limites de altitude, corredores aéreos e pontos obrigatórios de notificação.
A ausência de controle direto não significa ausência de regras. Entretanto, a responsabilidade pela separação segura entre aeronaves recai principalmente sobre os próprios pilotos.










