Ouça agora

Ao vivo

Reproduzir
Pausar
Sorry, no results.
Please try another keyword
Anac quer limitar responsabilização de áreas em casos de atraso e cancelamento de voos
Destaque
Anac quer limitar responsabilização de áreas em casos de atraso e cancelamento de voos
Espetáculo infantil discute saúde mental e sustentabilidade na Zona Sul do Rio
Cultura
Espetáculo infantil discute saúde mental e sustentabilidade na Zona Sul do Rio
Maracanã lidera ranking de estádios mais “intimidadores” do Brasil em 2026, diz estudo
Esportes
Maracanã lidera ranking de estádios mais “intimidadores” do Brasil em 2026, diz estudo
Pesquisa aponta que Lula lidera em todos os cenários para as eleições 2026
Política
Pesquisa aponta que Lula lidera em todos os cenários para as eleições 2026
Psol aciona STF contra ‘gratificação faroeste’ a policiais e alerta para risco de estímulo à letalidade
Política
Psol aciona STF contra ‘gratificação faroeste’ a policiais e alerta para risco de estímulo à letalidade
Ação integrada de ordenamento na Avenida Brasil retira mais de 17 toneladas de objetos acumulados
Rio de Janeiro
Ação integrada de ordenamento na Avenida Brasil retira mais de 17 toneladas de objetos acumulados
Anvisa proíbe venda de tirzepatida das marcas Synedica e TG e de retatrutida
Saúde
Anvisa proíbe venda de tirzepatida das marcas Synedica e TG e de retatrutida

Área técnica do TCE recomenda que concessão do gás ao Grupo Naturgy não seja renovada

Parecer aponta impedimento legal à prorrogação dos contratos da CEG e CEG Rio e defende nova licitação antes do vencimento em 2027

Siga-nos no

Reprodução

A Secretaria Geral de Controle Externo (SGE) do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) entregou ao conselheiro Rodrigo Melo do Nascimento uma representação recomendando que não seja prorrogada a concessão do serviço de distribuição de gás canalizado no estado, atualmente operado pelas concessionárias CEG e CEG Rio, controladas pelo Grupo Naturgy. O documento aponta indícios de ilegalidade na condução administrativa do processo e sustenta que a renovação é vedada pela legislação estadual.

A representação foi protocolada nesta terça-feira (6/jan) e questiona atos da Secretaria de Estado da Casa Civil e da Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio de Janeiro (Agenersa). O relator concedeu prazo de cinco dias para manifestação dos envolvidos antes de decidir sobre eventual medida cautelar.

Lei posterior à concessão impede renovação automática

Segundo a SGE, embora os contratos firmados em 1997 tenham previsto prazo de 30 anos com possibilidade de prorrogação por igual período, a Lei Estadual nº 2.831/97, aprovada após a celebração das concessões, estabeleceu um regime de transição que impede a renovação automática.

O ponto central da controvérsia está no artigo 45, parágrafo 1º, da lei, que determina a realização de nova licitação ao término do prazo contratual, ainda que os instrumentos originais tenham previsto cláusula de prorrogação. Para a área técnica do TCE, essa cláusula não gera direito adquirido, pois depende de decisão futura do poder concedente e deve se submeter à legislação vigente no momento da renovação.

Indícios de condução voltada à prorrogação

A representação aponta que, apesar da vedação legal, o Poder Executivo estadual e a Agenersa estariam adotando medidas administrativas com o objetivo de viabilizar a prorrogação ordinária dos contratos. Entre os indícios citados estão decisões internas, atos públicos e a própria formalização de pedido de renovação por parte da concessionária.

A SGE também menciona a criação de um grupo de trabalho no âmbito do governo estadual para estudar “soluções de modelagem para a concessão de serviços públicos e suas renovações na área de distribuição de gás”, o que, na avaliação técnica, reforça a intenção de manter o atual arranjo contratual.

Contrato com a FGV é questionado

Outro ponto sensível destacado pela representação é a contratação da Fundação Getulio Vargas (FGV) pela Secretaria da Casa Civil, por meio do Contrato nº 020/2025. O objeto do acordo envolve estudos de avaliação econômica, análise de cenários e modelagem de um novo contrato, inclusive na hipótese de renovação da concessão atual.

Para a SGE, há indícios de gasto público indevido, uma vez que os estudos partiriam da premissa de uma prorrogação que, segundo o entendimento técnico, não é permitida em lei. A área técnica ressalta, ainda, que a própria FGV teria alertado o Estado sobre o impedimento legal à renovação, mesmo assim ignorado pela administração.

Urgência e risco de assinatura antecipada em 2026

A representação também destaca a urgência do caso. Segundo projeção atribuída ao secretário da Casa Civil, Nicola Miccione, em um cenário de renovação, a assinatura de um novo contrato poderia ocorrer no primeiro semestre de 2026. A SGE aponta ainda a publicação retroativa de atos administrativos, o que dificultaria o acompanhamento tempestivo pelos órgãos de controle e pela sociedade.

Pedido de cautelar e nova licitação

Diante desse cenário, a Secretaria Geral de Controle Externo pede a concessão de tutela provisória de urgência, para obrigar o Estado do Rio e a Agenersa a iniciarem imediatamente a modelagem de uma nova concessão e o processo licitatório, conforme determina a Lei nº 2.831/97.

No mérito, a SGE defende que seja reconhecida a impossibilidade jurídica da prorrogação-renovação das concessões anteriores à lei, admitindo-se apenas eventual prorrogação excepcional e por prazo limitado, exclusivamente para garantir a continuidade do serviço até a conclusão da licitação.

O conselheiro Rodrigo Melo do Nascimento irá decidir sobre os pedidos após a manifestação dos órgãos envolvidos.

Íntegra da nota da Secretaria Estadual da Casa Civil

O Governo do Estado, por meio da Secretaria da Casa Civil, esclarece que está conduzindo de forma regular e institucional o processo de avaliação das concessões de distribuição de gás natural no estado> Portanto, não há nenhuma ilegalidade no processo. Ressalta também que não há qualquer direcionamento prévio ou favorecimento a alternativas específicas relacionadas aos contratos de concessão da CEG e da CEG Rio. Todos os cenários possíveis vêm sendo avaliados de forma ampla e criteriosa, considerando seus impactos regulatórios, jurídicos, econômicos e operacionais, com foco exclusivo no interesse público e na sustentabilidade do serviço.

Nesse contexto, em junho de 2025 foi contratada a Fundação Getúlio Vargas para a elaboração de estudos técnicos especializados que vão subsidiar, de maneira qualificada, a decisão do Poder Concedente quanto ao futuro das concessões. Os trabalhos decorrem de contrato regularmente firmado entre o Governo do Estado do Rio de Janeiro e a FGV Projetos e estão sendo conduzidos com total respeito aos marcos regulatórios e legais. O objetivo central é garantir a continuidade, a eficiência e a qualidade da prestação do serviço público de distribuição de gás natural, bem como uma tarifa justa e acessível para o consumidor.

Em relação à representação do TCE-RJ, a Casa Civil esclarece que ainda não foi notificada formalmente, mas atua com total transparência junto ao órgão. O processo está aberto para acompanhamento e todas as informações estão sendo compartilhadas com os técnicos do tribunal. O governo enfatiza que atuará com tranquilidade para demonstrar que não há qualquer ilegalidade, sendo juridicamente possíveis tanto a renovação extraordinária quanto a realização de nova licitação, conforme o ordenamento legal vigente e precedentes do próprio TCE.