O Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro recuperou 14 mil fotografias produzidas entre 1937 e 1945 que retratam a transformação urbana da então capital da República. As imagens revelam desde a abertura da Avenida Brasil — ainda cercada por áreas de matagal — até a expansão da cidade em direção aos subúrbios, à Zona Norte e à Zona Sul.
Produzidos em um período em que registros fotográficos urbanos eram raros, os documentos mostram um Rio em processo acelerado de modernização.
Do mato ao asfalto
O acervo do Arquivo Geral inclui registros da urbanização da Praça Onze, da chegada do asfalto à Tijuca, da abertura de vias no Alto da Boa Vista e da modernização do Centro. Há ainda imagens da região da Central do Brasil cercada por áreas verdes e do balneário de Ramos, inaugurado pelo então presidente Getúlio Vargas.
Bondes eletrificados cruzando São Cristóvão também aparecem nas fotografias, revelando um modelo de mobilidade mais coletivo e integrado à vida urbana da época.
Estado Novo e obras estruturais
O período retratado coincide com o Estado Novo e com uma fase de intensas obras públicas. Entre elas está a Avenida Presidente Vargas, cuja construção implicou a derrubada de árvores no Campo de Santana — decisão urbanística que ainda gera debate.
Grande parte das fotografias foi feita por Aristogeton e Uriel Malta, filhos de Augusto Malta, fotógrafo pioneiro e oficial da prefeitura. Os registros tinham função administrativa e jurídica, servindo inclusive como prova documental em processos de desapropriação.
Acervo digital e livro
As imagens estavam armazenadas no acervo municipal e passaram por processo de organização e digitalização. O conteúdo já pode ser acessado no site do Arquivo Geral e dará origem ao livro Achados e Perdidos, com cerca de 300 fotos selecionadas.
O material ajuda a compreender como o Rio se transformou ao longo do século XX — e convida à reflexão sobre os rumos futuros da cidade.
Para ver acesse: https://www.rio.rj.gov.br/web/arquivogeral/achados-e-perdidos






