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Ataque dos EUA muda liderança, mas mantém o chavismo no comando e oposição é escanteada

Aparição de Delcy Rodríguez e sinais de negociação indicam transição controlada após a captura de Maduro

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Reprodução

Mais de 12 horas depois do ataque militar de grande escala dos Estados Unidos a Caracas e a outras cidades venezuelanas, e da captura do presidente Nicolás Maduro, a vice-presidente Delcy Rodríguez apareceu na televisão estatal ao lado das principais lideranças do chavismo para enviar um recado direto à população: o governo segue em funcionamento.

A breve declaração, feita no canal Venezuelana de Televisão, buscou demonstrar controle institucional em meio ao maior abalo político do regime em mais de uma década.

Pouco antes, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia afirmado que a Casa Branca assumiria a administração da Venezuela durante um período indefinido.

Ele mencionou uma conversa telefônica entre o secretário de Estado, Marco Rubio, e Delcy Rodríguez, e disse que a vice-presidente estaria disposta a colaborar com o que Washington considera necessário para o futuro do país.

As duas cenas, quase simultâneas, reforçaram a percepção de que houve mudança no topo do poder, mas não uma ruptura imediata do regime.

Sinais contraditórios de Washington

Ao tratar do cenário político venezuelano, Trump descartou publicamente a principal liderança da oposição, María Corina Machado. A opositora, vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 2025 e defensora aberta de uma intervenção americana, afirmou no sábado que a oposição estava pronta para assumir o poder. Trump, no entanto, indicou não ver nela viabilidade política para liderar o país.

“Acho que seria muito difícil para ela estar à frente do país. Ela não conta com apoio nem respeito dentro de seu país. É uma mulher muito gentil, mas não inspira respeito”, declarou o presidente americano.

O comentário reforçou a leitura de que, ao menos neste primeiro momento, Washington não pretende entregar o comando da Venezuela à oposição tradicional, concentrando as negociações em figuras do próprio chavismo.

Suspeita de negociação nos bastidores

A ausência de protagonismo de María Corina Machado e do ex-candidato presidencial Edmundo González Urrutia alimentou suspeitas de um acordo em curso. Na mesa de decisões, permanecem nomes de confiança de Maduro, enquanto as declarações de Trump ampliaram mais as dúvidas do que as respostas.

Uma fonte diplomática americana em Washington avaliou que o discurso do presidente soou confuso e teatral, sugerindo que Trump tentou transmitir a ideia de que Delcy Rodríguez teria se rendido. Para essa fonte, o mais provável é que haja uma negociação em andamento.

Em Caracas, uma leitura semelhante circulou entre pessoas próximas ao chavismo: Maduro teria sido capturado como parte de um arranjo, enquanto Delcy permaneceria como eixo de estabilidade.

O papel de Grenell e o cálculo do regime

Enviado especial de Trump à Venezuela, Richard Grenell conduziu negociações diretas com Maduro e com integrantes do regime, incluindo a vice-presidente. Em Caracas, comenta-se que Delcy Rodríguez mantém boa interlocução com empresas petroleiras e foi a responsável por negociar o mais recente acordo da Chevron no país, o que explicaria o interesse americano em mantê-la no centro do poder.

Além dela, seguem em seus cargos o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, o ministro do Interior e Justiça, Diosdado Cabello, e o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez. Nos bastidores, discute-se a possibilidade de Delcy prestar juramento como presidente temporária nos próximos dias, em um gesto que consolidaria uma transição controlada.

“Toda transição foi assim. A Espanha saiu de Franco com o franquismo, o Chile de Pinochet com o pinochetismo”, avaliou a analista venezuelana Ana María San Juan, ao descrever processos de mudança sem ruptura imediata.

Dúvidas sobre o desfecho

O ataque americano, o primeiro contra um país da América do Sul em cerca de 200 anos, levantou uma série de perguntas sobre seus bastidores e consequências. Para o ex-embaixador chileno Jorge Heine, a captura de Maduro foi surpreendente e levanta a hipótese de colaboração interna.

“Haverá uma invasão em algum momento? Como vão governar a Venezuela de Washington? Afinal, a democracia importa?”, questionou o diplomata, ao comentar as declarações contraditórias de Trump.

Para o embaixador Gelson Fonseca, conselheiro do Centro Brasileiro de Relações Internacionais, o que se vê é apenas o início de um processo ainda imprevisível. Ele afirmou que surpreende a ausência de lições aprendidas com experiências recentes de intervenções internacionais e destacou que o cenário imediato dependerá da coesão do chavismo e da negociação entre Washington e o regime pós-Maduro.

Enquanto isso, a oposição mais radical ficou fora da jogada inicial, embora mantenha canais de diálogo com autoridades americanas. “Todos estão jogando”, resumiu a fonte diplomática americana, ao definir um tabuleiro em que o poder mudou de mãos, mas ainda não de lógica.