Ouça agora

Ao vivo

Reproduzir
Pausar
Sorry, no results.
Please try another keyword
Libras para todos: alunos de escola municipal de Nova Iguaçu aprendem uma nova forma de se comunicar
Nova Iguaçu
Libras para todos: alunos de escola municipal de Nova Iguaçu aprendem uma nova forma de se comunicar
TSE nega pedidos de duas entidades internacionais para observar eleições de 2026
Mundo
TSE nega pedidos de duas entidades internacionais para observar eleições de 2026
Justiça mantém prisão de Verônica Costa em audiência de custódia
Rio de Janeiro
Justiça mantém prisão de Verônica Costa em audiência de custódia
Hospital de Saquarema amplia UTI neonatal e passa a ter 35 leitos
Costa do Sol
Hospital de Saquarema amplia UTI neonatal e passa a ter 35 leitos
Presa por tortura de ex-marido, Verônica Costa passa por audiência de custódia neste sábado
Rio de Janeiro
Presa por tortura de ex-marido, Verônica Costa passa por audiência de custódia neste sábado
Linhas expressas do BRT vão parar na estação Vasco da Gama em dias de jogos no São Januário
Rio de Janeiro
Linhas expressas do BRT vão parar na estação Vasco da Gama em dias de jogos no São Januário
Número de crianças e adolescentes acolhidos cresce 10,8% no RJ
Estado
Número de crianças e adolescentes acolhidos cresce 10,8% no RJ
2804-prefni-banner-saedas-728x90
2804-prefni-banner-saedas-728x90
previous arrow
next arrow

Atlas da Mobilidade Social:Filhos de pobres permanecem na pobreza ao atingir vida adulta no Brasil

Gênero, raça e localização geográfica funcionam como barreiras para a ascensão econômica no país

Siga-nos no

A nova versão do Atlas da Mobilidade Social, divulgada nesta sexta-feira (31) revela que a desigualdade de renda no Brasil tende a se perpetuar de forma severa entre as gerações. De acordo com o estudo, 48% dos filhos cujos pais pertencem aos 25% mais pobres da população não conseguem deixar essa condição de vulnerabilidade econômica ao chegarem na fase adulta. Os dados mostram que o ponto de partida familiar é determinante para o futuro financeiro e que romper esse ciclo de pobreza permanece um desafio estrutural no país.

O cenário de estagnação socioeconômica se agrava quando são aplicados os recortes de raça e gênero. Enquanto 36,3% dos jovens brancos originários das famílias mais pobres continuam na mesma classe social de seus pais, essa taxa dispara para 51,6% no caso de jovens negros e pardos, evidenciando o peso da desigualdade racial nas oportunidades de crescimento. Sob a perspectiva de gênero, o abismo é ainda maior. Entre os homens nascidos na base da pirâmide, 32,9% não conseguem ascender socialmente. Já entre as mulheres, o percentual é quase o dobro, atingindo 65,1% de permanência na pobreza. No extremo desse indicador, a sobreposição das duas vulnerabilidades revela que 69% das mulheres negras não conseguem deixar a faixa de menor renda do país.

Para os jovens que começam a vida nos lares mais vulneráveis, alcançar o topo da pirâmide econômica nacional é uma realidade estatisticamente rara. O levantamento mostra que somente 8,32% desses indivíduos conseguem atingir o grupo dos 25% mais ricos do Brasil na vida adulta. O estudo mostra ainda que apenas 1,28% dos filhos de famílias vulneráveis consegue ingressar no grupo dos 10% com maior renda do país. A plataforma pública, que acompanha a trajetória de cerca de 7 milhões de brasileiros nascidos entre 1983 e 1990, foi desenvolvida pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (Imds) em parceria com o grupo de pesquisa Prospera Lab.

Os dados também comprovam a máxima popular de que as vantagens econômicas se concentram e se transmitem diretamente de pais para filhos. No estrato intermediário, os filhos de pais que estão na classe média (entre as rendas de percentil 26 e 75) registram 17,5% de probabilidade de alcançar o topo da pirâmide econômica quando adultos. Por outro lado, para quem já nasce em berço privilegiado, a permanência no topo é a regra. Entre os nascidos em famílias posicionadas nos 25% mais ricos, 56,5% têm a garantia de continuar no mesmo estrato social elevado e expressivos 30,8% conseguem chegar à seleta faixa dos 10% mais ricos do país.

Além dos fatores demográficos, o local de nascimento e residência atua como um forte catalisador ou limitador da mobilidade intergeracional. O estudo aponta que o Centro-Oeste concentra a maior probabilidade de um jovem de baixa renda alcançar os 10% mais ricos na vida adulta, registrando uma taxa de 2,86% de chance, impulsionada pelo dinamismo econômico regional. A região é seguida de perto pelo Sul, com 2,71%, e pelo Sudeste, que apresenta 2,26% de probabilidade de ascensão ao topo. Em contrapartida, as barreiras regionais são muito mais rígidas nas regiões Norte e Nordeste, que concentram os menores índices de sucesso, com apenas 1,32% e 1,36% de chance de atingir o topo da distribuição de renda, respectivamente.