Pesquisadores da USP e do Instituto de Pesca de São Paulo publicaram um estudo com uma descoberta que deveria estar em todo noticiário de saúde pública: a bactéria Citrobacter telavivensis foi identificada pela primeira vez em alimentos no Brasil. O microrganismo é classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como de prioridade crítica em resistência a antibióticos.
O alimento em questão eram ostras frescas, compradas em mercados de São Paulo e Santa Catarina. O dado mais alarmante é que nenhuma das amostras analisadas teria sido reprovada nos testes de inspeção sanitária vigentes no país.
Uma ameaça que cresce silenciosamente
A resistência antimicrobiana é reconhecida pela OMS como uma das dez maiores ameaças à saúde pública global. Em outubro de 2025, o relatório GLASS da organização revelou que uma em cada seis infecções bacterianas registradas entre 2018 e 2023 já apresentava resistência a antibióticos — um aumento expressivo de mais de 40% no período.
Em maio de 2025, a Assembleia Mundial de Saúde aprovou um novo Plano Global de Ação para o decênio 2026–2036. O documento reconhece que, sem uma intervenção severa, as superbactérias podem matar até 39 milhões de pessoas por ano até 2050, superando as projeções atuais de mortalidade por câncer.
O problema, porém, ainda é narrado quase exclusivamente como uma questão hospitalar. O que os novos dados reforçam é que esses patógenos já chegaram à cadeia alimentar — e que a fiscalização sanitária brasileira ainda não acompanhou essa mudança de cenário.
No Brasil, o Ministério da Agricultura implementou em 2023 a segunda etapa do Plano de Ação Nacional de Prevenção e Controle da Resistência aos Antimicrobianos no âmbito Agropecuário. O programa, contudo, monitora apenas Salmonella em aves, suínos e bovinos. Pescados, como moluscos e peixes, ainda não estão cobertos.










