A primeira noite de desfiles na Marquês de Sapucaí foi além do espetáculo das escolas de samba e ganhou contornos políticos evidentes. A presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no camarote do prefeito Eduardo Paes colocou o Carnaval 2026 no centro de articulações, estratégias partidárias e cuidados jurídicos em ano eleitoral.
Homenageado pela Acadêmicos de Niterói, Lula desceu brevemente à pista durante a passagem da escola pelo segundo recuo de bateria. Interagiu com componentes e, minutos depois, retornou ao camarote, de onde acompanhou os desfiles até deixar o Sambódromo às 4h53. A homenagem à trajetória do presidente motivou representações judiciais sob alegação de propaganda eleitoral antecipada.
Clima de cautela no governo
A comitiva presidencial contou com ministros como Anielle Franco, Alexandre Padilha, Alexandre Silveira, Esther Dweck, Camilo Santana, Gleisi Hoffmann, Margareth Menezes e o vice-presidente Geraldo Alckmin. Por orientação da Advocacia-Geral da União, as autoridades evitaram desfilar e não comentaram a homenagem, numa tentativa de reduzir riscos na Justiça Eleitoral.
A primeira-dama Janja da Silva, que inicialmente participaria de um dos carros alegóricos, foi substituída de última hora. Ela chegou ao camarote após o início do desfile, sem explicação oficial para a mudança.
O desfile ocorreu sob atenção redobrada por envolver patrocínios das prefeituras do Rio e de Niterói, do governo estadual e da Embratur. Os repasses, segundo informado, são feitos igualmente a todas as escolas, mas o contexto eleitoral ampliou o debate sobre limites legais.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou a Marquês de Sapucaí às 4h53 desta segunda-feira, depois de acompanhar os quatro desfiles que abriram o Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro. A saída ocorreu logo após o fim da apresentação da Mangueira, última escola da noite.
Diferentemente do que ocorreu na chegada, quando evitou contato direto com o público, Lula acenou rapidamente pela janela do carro ao deixar o Sambódromo. O vidro foi abaixado por alguns instantes, gesto que marcou o encerramento da participação do presidente na primeira noite de desfiles da elite do carnaval carioca.
Som alto e gestos políticos
Enquanto a Niterói cruzava a avenida, o governador Cláudio Castro manteve a música de seu camarote ligada durante toda a passagem da escola, rompendo a prática habitual de desligar o som nesse momento.
No mesmo clima político, o ex-ministro José Dirceu, o presidente do BNDES Aloizio Mercadante e os deputados Tarcísio Motta e Henrique Vieira marcaram presença. Já o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, participou do esquenta da Portela, mas optou por não desfilar.
Mangueira e articulação no Amapá
Nem todos os movimentos ocorreram na Sapucaí. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o governador do Amapá, Clécio Luís, acompanharam o desfile da Mangueira em Macapá, diante de um telão montado na Praça da Bandeira. A escola homenageou o estado com o enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju — O Guardião da Amazônia Negra”.
Uma articulação liderada por Alcolumbre resultou em cerca de R$ 10 milhões em apoio do governo amapaense ao enredo, um dos maiores termos de fomento firmados pela atual gestão.
Entre homenagens, pré-candidaturas e disputas por protagonismo, a primeira noite de desfiles mostrou que, em 2026, a Sapucaí é também território de cálculo político. No compasso dos tamborins, o Carnaval revelou que alianças e estratégias eleitorais já desfilam lado a lado com as escolas.






