Um ato político em frente à PUC-Rio, na Gávea, Zona Sul do Rio, terminou em hostilidades e forte indignação coletiva. A manifestação ocorreu do lado fora do campus, um dia após a reitoria da universidade proibir eventos político-partidários em suas dependências até o fim do período eleitoral. O clima de tensão entre apoiadores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL) foi marcado por agressões verbais e ofensas à memória da ex-vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018.
De cima de um carro de som ligado a parlamentares de direita, o influenciador digital Breno Faria, conhecido como “Café com Teu Pai”, ironizou a execução da parlamentar. O episódio foi registrado em vídeo e gerou imediato repúdio de movimentos sociais.
Provocações e ofensas
O tumulto se intensificou quando manifestantes de esquerda começaram a entoar o tradicional coro “Marielle, presente”. Em resposta, o influenciador utilizou o microfone do carro de som para zombar do crime de repercussão internacional:
“Marielle tá no céu, com Papai do Céu, não adianta. Ou não, né? Ou tá no colo do capeta”, disparou Breno Faria.
Na sequência, o jovem emendou piadas sobre ausência paterna, arrancando risos de pessoas que o acompanhavam no veículo. Ao lado dele no momento das declarações estavam os vereadores Rogério Amorim e Rafael Satiê.
Restrição da Universidade
O confronto ideológico precisou ser transferido para a área pública, no entorno do acesso pela Rua Padre Leonel Franca, devido a uma resolução da PUC-Rio. Em nota emitida na véspera, a instituição de ensino privada vetou atos de campanha em seus espaços internos para preservar o ambiente acadêmico durante as eleições.
Reação Institucional
O Instituto Marielle Franco emitiu uma nota oficial contundente classificando o episódio como um caso explícito de violência política de gênero e raça.
“Zombar do assassinato de Marielle Franco não é opinião. Não é debate. Não é liberdade de expressão. É violência política. Marielle foi uma mulher brilhante, cientista social formada pela PUC-Rio, pesquisadora, mestre em Administração Pública e uma parlamentar que dedicou sua vida à defesa dos direitos humanos”, diz o posicionamento.
Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes foram executados a tiros em 14 de março de 2018, no Estácio. O crime chocou o país e levou anos de investigações complexas até que a Polícia Federal e o Ministério Público apontassem os executores e os mandantes do atentado.








