O Brasil decidiu prestar apoio imediato à Venezuela após o ataque dos Estados Unidos que resultou na captura de Nicolás Maduro e na destruição de um centro de distribuição de medicamentos e tratamento de pacientes renais. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou nesta segunda-feira (5) que o país enviará equipamentos e remédios para diálise, tratamento vital para milhares de venezuelanos, e garantiu que o sistema de saúde brasileiro está preparado para possíveis reflexos da crise.
Segundo Padilha, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) solicitou formalmente o apoio do Ministério da Saúde brasileiro diante da situação emergencial no país vizinho. A pasta, de acordo com o ministro, já articula a mobilização de insumos por meio da estrutura do Sistema Único de Saúde (SUS) e também de empresas privadas do setor.
“Estamos buscando mobilizar insumos para diálise e medicamentos e vamos dar esse apoio, sim, ao povo venezuelano, que teve o centro de distribuição atacado”, afirmou o ministro em entrevista à imprensa.
A Venezuela, conforme destacou Padilha, tem cerca de 16 mil pacientes que necessitam de diálise, número equivalente a aproximadamente 10% de todos os pacientes em tratamento no Brasil. “Assim como outros países do continente, estamos nos mobilizando para ajudar nessa situação específica”, disse.
Governo Lula lembra apoio venezuelano durante a pandemia
O ministro também fez questão de lembrar o auxílio prestado pela Venezuela ao Brasil durante a crise sanitária da Covid-19. Na ocasião, caminhões com oxigênio foram enviados ao Amazonas quando Manaus enfrentava colapso no abastecimento hospitalar.
“O Brasil sempre estará à disposição”, declarou Padilha, reforçando o caráter humanitário da decisão.
Fronteira monitorada e Operação Acolhida em prontidão
Apesar do cenário de instabilidade regional, o ministro da Saúde afirmou que não há, até o momento, aumento no fluxo de migrantes venezuelanos para o território brasileiro. Ainda assim, o governo mantém monitoramento diário da fronteira.
Desde o sábado, equipes do Ministério da Saúde, da Anvisa, do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) e uma sala de situação permanente acompanham a evolução do cenário. “Caso venha a acontecer um aumento do fluxo migratório, estamos preparados para ampliar as equipes da Operação Acolhida e colocar em prática um plano detalhado conforme o crescimento da demanda”, explicou Padilha.
Nesta segunda-feira (5), a fronteira em Pacaraima, em Roraima, recebeu o reforço de dois blindados Guaicuru, no primeiro dia útil após o ataque dos Estados Unidos. A Operação Acolhida também retomou as atividades de recepção e triagem de migrantes venezuelanos.
Sistema de saúde brasileiro em alerta
Padilha afirmou que o Ministério da Saúde está “preparado” para possíveis impactos da crise no sistema de saúde brasileiro, sobretudo nos estados da região Norte. “O objetivo é reduzir ao máximo os impactos sobre o nosso sistema de saúde. Desde o começo, a gente se prepara para, se for necessário, realizar um aumento de efetivo”, afirmou.
Segundo o ministro, crises internacionais como essa têm impacto direto sobre países vizinhos, e o Brasil seguirá mobilizado tanto para proteger seu sistema de saúde quanto para oferecer ajuda humanitária.






