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Brasil registra mais de 6,5 mil acidentes de trabalho com motoboys em 2026

Dados do Ministério da Saúde apontam 6.591 ocorrências entre janeiro e agosto; especialistas alertam para os impactos na renda dos entregadores e nos gastos da Previdência Social

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Foto: Reprodução

O Brasil registrou 6.591 acidentes de trabalho envolvendo motofretistas e mototaxistas entre janeiro e agosto de 2026. No estado do Rio de Janeiro, foram contabilizadas 527 ocorrências. Os dados são do Ministério da Saúde.

Apesar dos números elevados, houve redução em relação ao ano passado. Em 2025, foram registrados 7.418 acidentes desse tipo no país, o que representa uma queda de 11,1% na comparação com os oito primeiros meses de 2026.

A rotina dos profissionais que trabalham sobre duas rodas envolve riscos como colisões, quedas e atropelamentos. A pressão por entregas rápidas, o trânsito intenso e a necessidade de manter a renda também podem contribuir para situações de perigo. Além dos impactos na saúde, os acidentes podem afastar os trabalhadores das atividades e comprometer o sustento de suas famílias.

A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que representa empresas do setor, afirma que as plataformas adotam medidas de segurança, como treinamentos, campanhas de conscientização, seguros e ferramentas de acompanhamento de rotas. A entidade também contesta a ideia de que os aplicativos sejam responsáveis pelo aumento dos acidentes.

 

Acidentes também impactam a Previdência Social

Os acidentes de trabalho envolvendo entregadores e mototaxistas podem gerar despesas para a Previdência Social, especialmente quando provocam afastamentos temporários ou sequelas que reduzem a capacidade de trabalho.

Entre os benefícios que podem ser concedidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) estão o auxílio por incapacidade temporária acidentário, conhecido como B91, e o auxílio-acidente, identificado como B94. A concessão depende da situação do trabalhador e do cumprimento dos requisitos legais.

O B91 pode ser concedido ao segurado que fica temporariamente incapacitado para trabalhar em decorrência de um acidente relacionado à atividade profissional. Já o B94 é destinado, em determinadas condições, a quem apresenta sequelas permanentes que reduzem a capacidade para o trabalho habitual.

 

Documentação pode facilitar o acesso aos benefícios

Para solicitar os benefícios, é importante manter documentos médicos, exames, comprovantes de atividade profissional e outros registros relacionados ao acidente. Também é recomendável verificar se as contribuições previdenciárias estão em dia e se as informações do trabalhador constam corretamente no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS).

A Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) é outro documento importante para registrar a ocorrência. Embora a obrigação de emitir a comunicação seja do empregador nos casos de vínculo formal, o próprio trabalhador, seus dependentes, o sindicato ou outras autoridades autorizadas podem registrá-la quando necessário, conforme as regras aplicáveis.

A prevenção continua sendo uma medida fundamental para reduzir os acidentes, preservar a saúde dos profissionais e evitar afastamentos que prejudiquem a renda dos trabalhadores e aumentem os gastos públicos.