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Brasil respira ar acima dos limites seguros e relatório acende alerta nacional sobre poluição

Levantamento do Ministério do Meio Ambiente, com base em novas regras do Conama, mostra aumento de poluentes em diversos estados e reforça alerta sobre qualidade do ar

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Foto: Lalo de Almeida/Folhapress

A concentração de poluentes atmosféricos no Brasil ultrapassa com frequência os limites recomendados pela Organização Mundial da Saúde, segundo o Relatório Anual de Acompanhamento da Qualidade do Ar 2025, divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.

O documento reúne dados de 2024 e, pela primeira vez, adota os parâmetros atualizados pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente, que estabeleceu novos limites e metas progressivas para que o país se aproxime dos padrões internacionais.

O levantamento analisa a presença de substâncias como ozônio, monóxido de carbono, dióxido de nitrogênio, dióxido de enxofre e materiais particulados fino e inalável, com base nas medições feitas por estações de monitoramento espalhadas pelo país.

Entre os poluentes avaliados, apenas o monóxido de carbono e o dióxido de nitrogênio permaneceram, na maior parte do tempo, dentro dos limites intermediários definidos na tabela de transição do Conama, ainda que tenham registrado ultrapassagens pontuais, como no Maranhão.

Já os demais poluentes superaram os padrões ao longo do ano. O ozônio apresentou tendência de alta em estados como Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia. O dióxido de nitrogênio também cresceu em medições no Rio de Janeiro e em outros estados do Sudeste. O material particulado inalável registrou aumento em Minas Gerais, enquanto o particulado fino apresentou redução em parte das estações de São Paulo.

O relatório destaca a necessidade de fortalecer os planos estaduais de gestão da qualidade do ar, ampliar o controle de emissões e expandir as redes de monitoramento.

Atualmente, o Brasil conta com 570 estações de monitoramento, número superior ao registrado em anos anteriores. No entanto, o documento aponta falhas no envio de dados por parte dos estados ao sistema nacional, o que pode comprometer a consolidação das informações.

Especialistas avaliam que, apesar dos avanços na governança e na implementação da Política Nacional de Qualidade do Ar, ainda são necessários ajustes legais e a definição de parâmetros para episódios críticos de poluição, como picos concentrados em um único dia, que não são captados pela média anual apresentada no relatório.