O Brasil alcançou um marco inédito no cenário internacional ao ultrapassar os Estados Unidos no ranking de liberdade de imprensa elaborado pela Repórteres Sem Fronteiras. Em 2026, o país chegou à 52ª posição, após um salto de 58 colocações desde 2022.
O resultado indica uma melhora nas condições para o exercício do jornalismo, tirando o Brasil da classificação de “situação difícil” e colocando-o na categoria de “situação sensível”.
De acordo com o relatório, a melhora brasileira está diretamente ligada à mudança no ambiente político e institucional nos últimos anos. A entidade aponta maior abertura ao diálogo com a imprensa, melhor acesso a informações públicas e redução de discursos hostis como fatores determinantes.
“A principal explicação para a melhora do Brasil é a mudança no ambiente político e institucional nos últimos anos: após 2022, houve uma recomposição das relações entre o governo e a imprensa, com mais abertura ao diálogo, melhor acesso à informação pública e um discurso oficial menos hostil aos jornalistas”, afirmou Artur Romeu, diretor da organização na América Latina.
Outro ponto destacado foi a adoção de mecanismos para monitorar a violência contra jornalistas e a implementação de protocolos para investigar crimes contra profissionais da imprensa. O relatório também ressalta que não houve registro de assassinatos de jornalistas no país desde 2022.
Enquanto o Brasil avançou, os Estados Unidos recuaram e aparecem na 64ª posição. O relatório associa esse desempenho a um ambiente político mais adverso à imprensa.
“Trump travou uma verdadeira ofensiva contra a liberdade de imprensa, afetando todos os indicadores”, diz Romeu.
Entre os fatores apontados estão ataques recorrentes a jornalistas, restrições de acesso a instituições públicas e uso de estruturas estatais contra veículos de comunicação.
O levantamento também revela uma tendência preocupante no mundo. Pela primeira vez, mais da metade dos países analisados — 52,2% — está classificada em situação “difícil” ou “muito grave” para a liberdade de imprensa.
Esse percentual representa um crescimento expressivo em relação a 2002, quando apenas 13,7% das nações estavam nesse patamar.
Segundo a organização, a pontuação média global nunca foi tão baixa em 25 anos de levantamento, refletindo o aumento de pressões políticas, econômicas e de segurança sobre o jornalismo.
Apesar da melhora brasileira, a América Latina apresenta um quadro heterogêneo e, em muitos casos, crítico. Países como Argentina, El Salvador, Peru e Equador registraram quedas recentes no ranking, impulsionadas por violência contra jornalistas e restrições institucionais.
Na outra ponta, países como Nicarágua, Cuba e Venezuela continuam entre os piores colocados, com severas limitações à liberdade de imprensa.
Confira algumas posições destacadas no levantamento global:
• Noruega – 1º lugar (lidera pelo décimo ano consecutivo)
• Brasil – 52º lugar
• Estados Unidos – 64º lugar
• Argentina – 98º lugar
• Equador – 125º lugar
• México – 122º lugar
• Peru – 144º lugar
• El Salvador – 143º lugar
• Venezuela – 160º lugar
• Cuba – 165º lugar
• Rússia – 172º lugar
• Nicarágua – 172º lugar
• China – 178º lugar
• Coreia do Norte – 179º lugar
• Eritreia – 180º lugar










