Uma pesquisa Datafolha divulgada nesta terça-feira revela que 59% dos brasileiros apoiam a decisão de rotular as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. A mudança de status foi adotada oficialmente pelo governo dos Estados Unidos no início deste mês. O levantamento também indica que 54% dos entrevistados acreditam que o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, teve influência direta na articulação com Washington.
O estudo ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 17 e 18 de junho, em 139 municípios de todas as regiões do país. A margem de erro estimada é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Soberania nacional e o papel dos EUA
Embora apoiem a classificação mais rígida contra o crime organizado, os brasileiros demonstram forte preocupação com a soberania do país. Segundo o Datafolha, 74% da população rejeita categoricamente a possibilidade de os EUA atuarem contra integrantes dessas facções em território nacional sem a expressa autorização do governo brasileiro.
Por outro lado, o panorama fica bastante equilibrado quando o questionamento gira em torno das intenções de Washington: 50% dos entrevistados concordam que o governo de Donald Trump quer, na verdade, ajudar o Brasil ao adotar essa medida, enquanto 46% divergem dessa visão. Além disso, 74% não acreditam que os americanos estejam usando as facções como uma “desculpa” para interferir na política ou “mandar no Brasil”, contra 23% que afirmam o oposto.
A articulação de Flávio Bolsonaro
A decisão dos Estados Unidos ocorreu poucos dias após uma visita oficial de Flávio Bolsonaro a Donald Trump na Casa Branca. Em março, o jornal The New York Times já havia revelado que o senador e seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), vinham pressionando o governo americano para adotar a designação de terrorismo para o CV e o PCC. O tema é alvo de duras críticas por parte do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que alerta para os riscos à soberania nacional.
Sobre a viagem e seus desdobramentos, 30% dos entrevistados alegam que Flávio não teve influência na decisão americana, enquanto 16% não souberam responder. Entre os 54% que enxergam a digital do parlamentar na medida, a percepção sobre o resultado é majoritariamente crítica: 57% entendem que a articulação do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro é negativa para o Brasil. Em contrapartida, 37% avaliam o movimento como positivo, 3% consideram um meio-termo e 2% não souberam opinar.










