Além do samba e das fantasias, o calor intenso foi protagonista — e vilão — do Carnaval carioca este ano. Entre os dias 13 e 17 de fevereiro, as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) do estado registraram uma média de cinco pacientes por hora com sintomas diretamente ligados às altas temperaturas, segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ).
Ao todo, 647 pessoas buscaram assistência médica emergencial devido ao calor excessivo. As unidades que concentraram o maior volume de casos foram as de Realengo, na Zona Oeste, além de Botafogo e Irajá.
Sintomas e Diagnósticos
A exposição prolongada ao sol e a dificuldade de manter a hidratação levaram foliões a quadros clínicos preocupantes. Entre as principais queixas registradas, destacam-se casos de desidratação, insolação, tontura, confusão mental e taquicardia.
No balanço geral, a rede estadual realizou 27.433 atendimentos durante o período momesco, um crescimento de 2,05% comparado ao ano anterior. Embora o calor tenha sido um fator crítico, as queixas mais frequentes nas unidades de saúde continuam sendo dores gerais e crises de gastroenterite.
Atuação do SAMU
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) da capital operou sem interrupções, totalizando 3.262 ocorrências. A movimentação foi intensa em polos específicos da cidade: em Campo Grande, o maior volume de chamados envolveu problemas cardiovasculares; já no Centro e em Copacabana, as equipes foram acionadas majoritariamente para atender casos de quedas e traumas.
Solidariedade em Baixa: Hemorio busca Recuperar Estoque
Enquanto as UPAs registravam alta demanda, o Hemorio enfrentava um desafio típico desta época: a queda sazonal nas doações de sangue. Durante os dias de folia, a unidade recebeu uma média de apenas 70 doadores por dia, número abaixo do ideal para garantir o abastecimento hospitalar.
Para mitigar o déficit, o instituto contou com o apoio de figuras públicas. Campanhas estreladas por ícones do samba como Alcione e Jorge Aragão, além de rainhas de bateria, foram fundamentais para incentivar a doação voluntária antes e durante os desfiles na Sapucaí. O órgão reforça que a mobilização deve continuar após o feriado para normalizar os estoques de sangue do estado.






