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Câmara do Rio avalia homenagem a major da FAB morto em queda de helicóptero em Guaratiba

Proposta reconhece trajetória militar e atuação social de Sérgio Nunes, vítima de acidente aéreo na Zona Oeste

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Reprodução

Tramita na Câmara dos Vereadores uma proposta para homenagear com uma Moção de Louvor e Reconhecimento o major da Força Aérea Brasileira (FAB) Sérgio Nunes Miranda. O militar é uma das três vítimas da queda de um helicóptero em Guaratiba, na Zona Oeste do Rio, no último sábado (17).

O texto, apresentado pelo vereador Fernando Armelau (PL) — e que ainda será publicado no Diário Oficial da Câmara (DCM), destaca a trajetória profissional e o trabalho social de Sérgio, que além de piloto da FAB, coordenava o Projeto Semeando o Amanhã, uma ONG que atende famílias e crianças em situação de vulnerabilidade na Comunidade do Guarda, em Del Castilho, na Zona Norte.

Nascido e criado em Olaria, Sérgio ingressou no Colégio Militar aos 10 anos e, aos 14, foi aprovado na Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAR). Em 2010, concluiu a formação na Academia da Força Aérea, tornando-se Oficial Aviador.

Trabalho social paralelo à carreira militar

Segundo a proposta, paralelamente à atuação nas Forças Armadas, o major manteve envolvimento contínuo com projetos sociais. Durante anos, participou do Espalhamor, iniciativa voltada ao acolhimento de pessoas em situação de rua, e, desde 2019, atuava no Semeando o Amanhã também como professor voluntário, principalmente de matemática.

Em 2024, cinco crianças atendidas pela ONG foram aprovadas em concursos públicos, e um dos ex-alunos de Sérgio atualmente cursa a EPCAR.

“Grande honra entregar este reconhecimento para que fique eternizado como símbolo de gratidão e admiração por seu trabalho, legado e exemplo de vida”, sublinha o autor da homenagem na justificativa do texto.

Vítimas do acidente foram sepultadas nesta semana

O major Sérgio Nunes Miranda foi enterrado na tarde da última segunda-feira (19), no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap. A cerimônia reuniu familiares e amigos e contou com honras militares.

Ele mantinha presença nas redes sociais, reunindo mais de 30 mil seguidores, e compartilhava, entre outras coisas, conteúdos ligados à aviação e à rotina profissional. Nas postagens, amigos e seguidores deixaram mensagens de homenagem.

“Sem acreditar no que aconteceu. Acompanhava o trabalho incrível do major e admirava sua participação no projeto voluntário. Era uma inspiração. Meus sentimentos à família”, escreveu um seguidor. “O seu legado será lembrado e honrado”, comentou outro.

O instrutor de voo Diego Dantas Lima Morais, de 36 anos, teve velório e cremação realizados no mesmo dia, no Cemitério do Caju, na Zona Portuária. A despedida foi marcada por homenagem aérea e chuva de pétalas de flores sobre o cortejo.

Já o capitão do Corpo de Bombeiros Lucas Silva Souza, de 35 anos, foi sepultado em Silva Jardim, no interior do estado, no último domingo (18), na presença de parentes, pessoas próximas e amigos. Ele pilotava a aeronave no momento do acidente. Durante o velório, a mãe de Lucas destacou o caráter do filho e disse que ele havia aceitado participar do voo como uma forma de complementar a renda e ajudar a família.

“Ele queria pagar o plano de saúde para mim e para o pai dele. Não era ganância de dinheiro, era para ajudar a família”, contou ao G1.

Causas do acidente seguem em investigação

A queda do helicóptero ocorreu durante um voo de instrução para familiarização com o modelo da aeronave e também vitimou o capitão do Corpo de Bombeiros Lucas Silva Souza, de 35 anos, e o instrutor de voo Diego Dantas Lima Morais, de 36. O acidente é investigado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), com acompanhamento da Polícia Civil.

A aeronave, um Robinson R44 II, estava com manutenção e documentação regulares. As causas da queda ainda estão sendo apuradas.