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Campainha do tráfico nos Arcos da Lapa alertava criminosos para chegada da polícia

Esquema ilegal funcionava como sistema de aviso contra a polícia em área turística do Rio

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reprodução

Um esquema inusitado utilizado pelo tráfico de drogas foi descoberto na Lapa, região central do Rio de Janeiro, durante investigações que antecederam a Operação Colmeia. Criminosos instalaram uma campainha na base de um dos pilares dos Arcos da Lapa para avisar sobre a aproximação da polícia.

O dispositivo era acionado por um integrante do grupo sempre que viaturas se aproximavam da Rua Joaquim Silva, na entrada de uma área onde funcionava um ponto de venda de drogas em um casarão abandonado.

O sistema funcionava como um alerta sonoro, permitindo que traficantes escondessem entorpecentes e evitassem flagrantes policiais em uma das regiões mais movimentadas da cidade.

A campainha estava conectada por uma extensão irregular de cerca de 50 metros, que passava por postes até chegar ao imóvel usado como base do tráfico, na esquina com a Travessa Mosqueira.

O ponto ficava próximo à Escadaria Selarón, um dos principais cartões-postais do Rio, evidenciando a atuação criminosa em área de grande circulação de turistas.

Segundo as investigações, o esquema funcionou por mais de um mês antes de ser identificado por agentes da 5ª DP (Gomes Freire), ainda em setembro do ano passado.

Operação Colmeia prende suspeitos e mira chefes do grupo

A descoberta fez parte da apuração que resultou na Operação Colmeia, realizada em conjunto pelas polícias Civil e Militar, com apoio do Ministério Público do Rio de Janeiro.

Ao todo, 17 pessoas foram presas por envolvimento com o tráfico na região da Lapa e em comunidades próximas.

Os apontados como líderes do grupo são Wilton Carlos Rabello Quintanilha, conhecido como Abelha, e Anderson Venâncio Nobre de Souza, o Piu ou Português. Ambos estão foragidos e têm mandados de prisão em aberto.

Casarão abandonado era usado como boca de fumo

No imóvel utilizado pelo grupo, a fachada era coberta por tapumes para dificultar a visualização da atividade criminosa. No local, usuários formavam filas para comprar drogas como cocaína, crack, maconha e substâncias sintéticas.

A logística incluía o armazenamento dos entorpecentes no segundo andar, de onde eram enviados ao térreo por meio de um barbante, antes de serem entregues aos compradores.

As drogas, segundo a investigação, vinham de comunidades como Fallet-Fogueteiro, no Rio Comprido, onde o grupo mantinha base de abastecimento.

Cobrança de taxas e violência na região

Além da venda de drogas, o grupo também cobrava taxas de comerciantes ambulantes que atuavam nas imediações da Escadaria Selarón. Os valores podiam chegar a R$ 130, variando conforme o tamanho das barracas.

A operação também teve como alvo áreas como o Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, apontadas como parte da estrutura do grupo criminoso.

Em uma nova ação policial realizada na região, oito pessoas morreram — sete suspeitos e um morador. Durante a operação, agentes do Bope apreenderam dois fuzis, duas pistolas, dois revólveres e duas granadas.

Moradores e trabalhadores da Lapa relatam uma rotina crescente de insegurança, marcada por aumento nos casos de tráfico e roubos, especialmente de celulares, reforçando o alerta sobre a escalada da violência em uma das áreas mais conhecidas do Rio.