A campanha do presidente Lula lançou o site Censura Digital para reunir relatos de usuários sobre possíveis restrições nas redes sociais durante as eleições de 2026. A iniciativa busca documentar ocorrências e identificar padrões que possam indicar problemas na aplicação das regras das plataformas.
Segundo a campanha, as denúncias podem envolver bloqueios de perfis, redução na circulação de publicações, desaparecimento de visualizações e limitações ao impulsionamento de anúncios. Também há questionamentos sobre possíveis vieses em ferramentas de inteligência artificial e sobre a igualdade de tratamento entre candidaturas.
Meta reconheceu falhas em processo no TSE
A discussão ganhou força após a Meta, responsável pelo Facebook e pelo Instagram, se manifestar em um processo movido pela Coligação Brasil Pronto pra Mais no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A empresa reconheceu que a conta de anúncios da campanha de Lula foi desativada indevidamente em 23 de setembro.
A Meta também admitiu uma falha técnica na contagem de visualizações dos Reels em 7 de outubro e informou que sete contas que violavam suas regras permaneceram ativas até o ajuizamento da ação. A empresa atribuiu os episódios a problemas técnicos.
Para a coligação, os esclarecimentos reforçam a necessidade de apurar os efeitos das falhas sobre a presença digital do presidente. A campanha ainda aponta diferenças de engajamento entre conteúdos de Lula e de Flávio Bolsonaro, apesar de Lula ter uma base maior de seguidores. O material fornecido não apresenta dados que permitam verificar essa comparação de forma independente.
Relatos podem embasar apuração mais ampla
O Censura Digital recebe relatos de usuários, criadores de conteúdo, comunicadores e pessoas envolvidas no debate político. A proposta é reunir informações que possam ajudar a identificar ocorrências recorrentes e subsidiar investigações sobre os critérios adotados pelas plataformas.
As preocupações incluem ainda respostas consideradas enviesadas por ferramentas de inteligência artificial e limitações na produção de conteúdos políticos relacionados à campanha de Lula. A iniciativa, porém, não apresenta conclusões sobre a existência de discriminação sistemática; busca reunir relatos para análise.
A campanha pretende encaminhar as denúncias a organismos internacionais, entre eles a Organização dos Estados Americanos (OEA), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e observadores eleitorais. O objetivo declarado é ampliar o acompanhamento dos casos e cobrar transparência sobre a moderação e a distribuição de conteúdo.








