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Carnaval 2026: Sapucaí divulga ordem dos desfiles, enredos e sambas do Grupo Especial

Doze escolas se apresentam em três noites, com temas que vão de ancestralidade e religiosidade a música, literatura e política

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Reprodução

Estamos praticamente a um mês do início dos desfiles do grupo especial do carnaval do Rio de Janeiro. Pelo segundo ano consecutivo, a Marquês de Sapucaí receberá três noites de apresentações intensas, com escolas que trazem enredos variados, homenagens a nomes da cultura brasileira e temas que percorrem ancestralidade, resistência, música, literatura e religiosidade. A atual campeã, Beija-Flor de Nilópolis, desfila na segunda-feira (16/2) defendendo o título conquistado em 2025, em um calendário que começa no domingo (15/2) e segue até terça-feira (17/2), com quatro escolas por noite.

Ordem dos desfiles após o sorteio:

Domingo (15/02) – Acadêmicos de Niterói, Imperatriz Leopoldinense, Portela, Estação Primeira de Mangueira
Segunda-feira (16/02) – Mocidade Independente de Padre Miguel, Beija-Flor de Nilópolis, Unidos do Viradouro, Unidos da Tijuca
Terça-feira (17/02) – Paraíso do Tuiuti, Unidos de Vila Isabel, Acadêmicos do Grande Rio, Acadêmicos do Salgueiro

DIÁRIO DO RIO reuniu as 12 agremiações do Grupo Especial em uma apresentação, por ordem de desfile, com enredo e samba-enredo na íntegra. Confira:


Acadêmicos de Niterói

Enredo “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”
A escola estreante chega ao Grupo Especial com uma homenagem à trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, desde sua infância humilde no Nordeste até a Presidência, destacando sua ascensão, luta sindical e o impacto social, com o carnavalesco Tiago Martins e o enredista Igor Ricardo desenvolvendo o tema. A escola será a primeira a desfilar na Marquês de Sapucaí.

Samba-enredo – letra na íntegra

Eu vi brilhar a estrela de um país
No choro de luiz, à luz de Garanhuns
Sertão onde a pobreza e o pranto
Se dividem para tantos
E a riqueza multiplica para alguns
Me vejo nos olhares dos meu filhos
Assombrados e vazios com o peito em pedaços
Parti atrás do amor e dos meus sonhos
Peguei os meus meninos pelos braços
Brilhou um sol da pátria incessante
Pro destino retirante te levei Luiz Inácio
Por ironia, treze noites, treze dias
Me guiou Santa Luzia, São José alumiou
Da esquerda de Deus pai, da luta sindical
À liderança mundial

Vi a esperança crescer e o povo seguir sua voz
Revolucionário é saber escolher os seus heróis
Zuzu Angel, Henfil, Wladimir
Que pagaram o preço da raiva
Nós ainda estamos aqui no Brasil de Rubens Paiva

Lute pra vencer, aceite se perder
Se o ideal valer, nunca desista
Não é digno fugir, nem tampouco permitir
Leiloarem isso aqui a prazo, à vista
É… tem filho de pobre virando doutor
Comida na mesa do trabalhador
A fome tem pressa, Betinho dizia
É… teu legado é espelho das minhas lições
Sem temer tarifas e sanções
Assim que se firma a soberania
Sem mitos falsos, sem anistia

Quanto custa a fome? Quanto vale a vida?
Nosso sobrenome é Brasil da Silva
Vale uma nação, vale um grande enredo
Em Niterói o amor venceu o medo
Olê, olê, olê, olá
Vai passar nessa Avenida mais um samba popular
Olê, olê, olê, olá, Lula! Lula!


Imperatriz Leopoldinense

enredo “Camaleônico”
A Verde e Branco de Ramos faz uma homenagem ao icônico artista brasileiro Ney Matogrosso, explorando sua trajetória, ousadia, liberdade e o universo transgressor da MPB, com o carnavalesco Leandro Vieira liderando a celebração da diversidade cultural

Samba-enredo – letra na íntegra

Sou meio homem, meio bicho
O silêncio e o grito
Pássaro, mulher
Que pinta a verdade no rosto
Traz a coragem no corpo
E nunca esconde o que é
Pelo visível, indefinível
Ressignifica o frágil
O que confunde é o desbunde
O que desafia o fácil
Canto com alma de mulher
Arte que sabe o que quer
E não se esqueça

Eu sou o poema que afronta o sistema
A língua no ouvido de quem censurar
Livre para ser inteiro
Pois, sou homem com H

E como sou…
O bicho, bandido, pecado e feitiço
Pavão de mistérios, rebelde, catiço
A voz que a cálida rosa deu nome
A força de Atenas que o mal não consome
O sangue latino que vira
Vira, vira lobisomem
Eu juro que é melhor se entregar
Ao jeito felino provocador
Devoro pra ser devorado
Não vejo pecado ao sul do Equador

Se joga na festa, esquece o amanhã
Minha escola na rua pra ser campeã!

Vem meu amor
Vamos viver a vida
Bota pra ferver
Que o dia vai nascer feliz na Leopoldina


Portela

Enredo “O Mistério do Príncipe do Bará”
A Majestade do Samba costura história e fé para reverenciar Príncipe Custódio, figura histórica e espiritual do Benin que se tornou um símbolo de resistência e fé afro-gaúcha, destacando a força da ancestralidade negra no Sul do Brasil através da religiosidade do Batuque.

Samba-enredo – letra na íntegra

Ê bará, ê bará… ôô!
Quem rege a sua coroa, bará?
É o rei de sapaktá
Aláfia do destino no ifá!

É mistério que incandeia
Pro batuque incorporar
É mistério que incandeia
Pra portela incorporar

Vai, negrinho… vai fazer libertação
Resgatar a tradição
Onde a África assenta
Ô, corre gira, vem revelar
O reino de ajudá

O pampa é terra negra em sua essência
Alupo, meu senhor, alupô!
Vai ter xirê no toque do tambor
Alumia o cruzeiro… chave de encruzilhada
É macumba de custódio no romper da
Madrugada

Curandeiro, feiticeiro
Batuqueiro precursor
Pôs a nata no gongá (ô, iaiá!)

Fundamento em seu terreiro
Resiste a fé no orixá
Da crença no rosário
Ao rito do mercado
Ainda segue vivo o seu legado

Portela… tu és o próprio trono de zumbi
Do samba, a majestade em cada ori
Yalorixá de todo axé

Enquanto houver um pastoreio
A chama não apagará
Não há demanda que o povo preto não possa
Enfrentar!

Ae oni bará! Ae babá lodê!
A portela reunida carregada no dendê
Sob o céu do rio grande
Tem reza pra abençoar
O príncipe herdeiro da coroa de bará!


Estação Primeira de Mangueira

Enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”
A Verde-e-Rosa faz uma celebração da cultura afro-indígena do Amapá, focada na figura de Raimundo dos Santos Souza (Mestre Sacaca), um xamã, curandeiro e guardião da floresta, conhecido por seus saberes ancestrais e por promover as tradições da Amazônia Negra. A escola homenageia a sabedoria popular e a resistência da Amazônia através das vivências de Sacaca, suas ervas, rituais como o Marabaixo e o Batuque, e a força dos povos tradicionais.

Samba-enredo – letra na íntegra

Finquei minha raiz
No extremo norte onde começa o meu país
As folhas secas me guiaram ao turé
Pintada em verde-e-rosa, jenipapo e urucum

Árvore-mulher, mangueira quase centenária
Uma nação incorporada
Herdeira quilombola, descendente palikur
Regateando o amazonas no transe do caxixi
Corre água, jorra a vida do oiapoque ao jari

Çai erê, babalaô, mestre sacaca
Te invoco do meio do mundo pra dentro da mata
Salve o curandeiro, doutor da floresta

Preto velho, saravá
Macera folha, casca e erva
Engarrafa a cura, vem alumiar
Defuma folha, casca e erva… Saravá
Negro na marcação do marabaixo

Firma o corpo no compasso
Com ladrões e ladainhas que ecoam dos porões
Ergo e consagro o meu manto
Às bençãos do espírito santo e são josé de macapá
Sou gira, batuque e dançadeira (areia)

A mão de couro do amassador (areia)
Encantaria de benzedeira que a amazônia negra eternizou
No barro, fruto e madeira, história viva de pé
Quilombo, favela e aldeia na fé

De yá, benedita de oliveira, mãe do morro de Mangueira
Ouça o canto do uirapuru
Yá, benedita de oliveira, benze o morro de Mangueira
E abençoe o jeito tucuju
A magia do meu tambor te encantou no jequitibá
Chamei o povo daqui, juntei o povo de lá
Na estação primeira do Amapá


Mocidade Independente de Padre Miguel

Enredo “Rita Lee, a padroeira da liberdade”
A Mocidade transforma irreverência em dogma libertário. A escola de Padre Miguel fará uma homenagem à icônica cantora Rita Lee, celebrando sua originalidade, rebeldia e o legado de sua obra, conectando-a com a liberdade do samba. A escola exaltará a irreverência e o espírito libertário de Rita, que faleceu em 2023.

Samba-enredo – letra na íntegra

Um belo dia resolvi mudar
Cansei dessa gente careta
Aos seus bons costumes, eu sinto informar
Formei outras ovelhas negras
A diferentona do verbo sem freio
Pra farda, uma língua e o dedo do meio
Cabelo de fogo e a lente encarnada
Mutante da pele marcada
Transo rock e samba pra sentir prazer
Agora só falta você…
Agora só falta você!

Sou Independente, fácil de amar
Livre de qualquer censura
Vem, baila comigo, só de te olhar
Posso imaginar loucuras

Amor é pra sempre o corpo compondo entre a boca e o ventre
Dedilha a guitarra… arranca as amarras e me bebe quente
Meu doce vampiro além do querer
Desculpe o auê!
Se é caso sério, eu lanço perfume, aumenta o volume
Que eu banco a verdade
Não adianta prender
Santa Rita “Leeberdade”
Vem, seja Pagu, se entrega
Quem foge ao padrão vence a regra
A voz feminina, plural
Assina a estrela no meu carnaval

Mocidade, ê-ê-ê-ê-ê
Minha Mocidade, voltei por você!
Desbaratina a razão, se joga, meu bem
No céu, no mar, na lua…
Na Vila Vintém


Beija-Flor de Nilópolis

Enredo “Bembé”
A campeã defende o título com um enredo que faz uma homenagem ao maior candomblé de rua do mundo, realizado em Santo Amaro da Purificação, na Bahia, celebrando a ancestralidade, resistência, liberdade religiosa e a cultura afro-brasileira, conectando a fé baiana com a comunidade de Nilópolis.

Samba-enredo – letra na íntegra

Não me peça pra calar minha verdade
Pois a nossa liberdade não depende de papel
Em Santo Amaro, todo treze de maio
Nossa ancestralidade é festejada à luz do céu

Ê ê… João de Obá, griô sagrado
Ê ê… herança viva no mercado
Cantando, saudamos a nossa fé
Às nações do candomblé

É sagrado o respeito!
Ressoa no coro o axé funfun
Não tememos ataque algum
A rua ocupamos por direito

Põe erva pra defumar
Um ebó pra proteger
Saraiéié Bokunan, saraiéié!

Nosso povo é da encruza
Arte preta de terreiro
É mistura de cultura
Multidão de macumbeiro

O povo gira no xirê, a celebrar…
O axé se espalha em cada canto, em cada olhar
Transborda magia no toque do tambor
Às Yabás, o balaio e o amor…

Yemanjá alodê no mar (no mar)
É d’Oxum toda beleza do ibá
É reza no corpo, é dança na alma
A rosa, a palma, o Omolucum…

É Dona Canô de todo recanto
Evoco a Baixada de Todos os Santos!
Atabaque ecoou, liberdade que retumba
Isso aqui vai virar macumba!

Deixa girar que a rua virou bembé
Deixa girar que a rua virou bembé

O meu egbé faz valer o seu lugar
Laroyê, Beija-Flor, Alafiá!


Unidos do Viradouro

Enredo “Pra cima, Ciça!”
A escola de Niterói vai levar para avenida o enredo homenageando o lendário Mestre Ciça, atual mestre de bateria da agremiação, que completa 70 anos em 2026.

Samba-enredo – letra na íntegra

Eu vi, a vida pulsar como fosse canção
Milhões de compassos pra eternizar
Em cada batida do meu coração
O som que reflete o seu batucar

Lá, onde o samba fez berço, do alto do morro
Um menino orgulha Ismael, bicho novo
Forjado nas garras do velho leão

Contam no largo do Estácio
O destino em seu passo
Que fez pouco a pouco uma chama acender
Traz surdo, tarol e repique pro mestre reger

Quando o apito ressoa parece magia
Num trem caipira, no olhar da baiana
Medalha de ouro, suingue perfeito
Que marca no peito da escola de samba

Se a vida é um enredo desfilou outros amores
Maestro fez do couro sinfonia
Na ousadia dos seus tambores
Peça perfeita pra me completar

Feiticeiro das evocações
Atabaque mandou te chamar
Pra macumba jogar poeira
Firma a caixa pra resistir, o nome de Moacyr
É legado do mestre Caveira

Sou eu, mais um batuqueiro a pulsar por você
Ciça, gratidão pelas lições que eu pude aprender
E hoje aos teus pés
Somos todos um nessa avenida

Num furacão que nunca vai ter fim
Nossa história não encontra despedida
Se eu for morrer de amor que seja no samba
Sou Viradouro, onde a arte o consagrou

Não esperamos a saudade pra cantar
Do mestre dos mestres herdei o tambor


Unidos da Tijuca

Enredo “Carolina Maria de Jesus”
A escola vai homenagear a escritora Carolina Maria de Jesus, considerada uma das vozes mais potentes da literatura brasileira, que retratou com profundidade a vida nas favelas e as desigualdades sociais.

Samba-enredo – letra na íntegra

Eu sou filha de uma dor
Que nasceu no interior de uma saudade
Neta de vô preto velho
Que me ensinou os mistérios
Bitita, cor que sonhou liberdade
Me chamo Carolina de Jesus
Dele herdei também a cruz
Olhem em mim, eu tenho as marcas
Me impuseram sobreviver
Por ser livre nas palavras
Condenaram meu saber
Fui a caneta que não reproduziu
A sina da mulher preta no Brasil

Os olhos da fome eram os meus
Justiça dos homens não é maior que a de Deus!
Meu quarto foi despejo de agonia
A palavra é arma contra a tirania!

Sonhei sobre as páginas da vida
Ilusões tolhidas por um sistema algoz
Que tenta apagar nossa grandeza
Calar a realeza que ainda vive em nós
Meu barraco é de madeira
Barracões são do Borel
Onde nascem Carolinas
Não seremos mais os réus
Por tantas Marias
Que viram seus filhos crucificados
Nas linhas da vida, verbo na ferida, deixei meu legado…
Meu país nasceu com nome de mulher
Sou a liberdade… Mãe do Canindé!

Muda essa história, Tijuca
Tira do meu verso a força pra vencer!
Reconhece o seu lugar… e luta
Esse é o nosso jeito de escrever!


Paraíso do Tuiuti

Enredo “Lonã Ifá Lukumi”

A agremiação vai levar para a Sapucaí o enredo “Lonã Ifá Lukumi” sobre uma vertente religiosa afro-cubana que vem sendo redescoberta no Brasil. O tema será desenvolvido pelo carnavalesco Jack Vasconcelos.

Samba-enredo – letra na íntegra

Meu padrinho me falou
Cada um tem seu ori
O destino é professor
A raiz é Lucumi
Ifá, retira dessa flor os seus espinhos
Revela meu odu e seus caminhos
Com os ikins de Orunmilá
Me dê seu irê para vida
Olodumarê, criador
Espalhou axé e amor
No ilê dos orixás
E o negro iniciado no segredo
Do reino de Olokun fez sua trilha
Rompendo os grilhões de morte e medo
Foi o primeiro babalaô da ilha

Babá Moforibale, Babá moforibale
Orunmilá taladê, Babá moforibale

Eleguá
é o dono do poder
moenda não pode mais moer
põe fogo na cana
Eleguá
Tem mandinga e dendê
hoje o coro vai comer
nas barbas de Havana

Ah! o ânimo de ser do baticum
Com a lâmina sagrada de Ogum
E a sina de quem ama o idefá
Ah! a rama do Caribe se expandiu
No verde e amarelo do Brasil
Nas cordas do opelé e no oponifá
Derruba os muros quem sabe asfaltar
Caminhos abertos na mão de Ifá
Que o mundo entenda
O ebó vence a dor
Sentado à esteira de um babalaô

Ibarabô, agô Lonã
Olukumi
Iboru Iboya Ibosheshe
Canta Tuiuti!


Unidos de Vila Isabel

Enredo “Macumbembê, samborembá: sonhei que um sambista sonhou a África”
A escola traz uma grande homenagem ao multiartista, sambista, pintor e compositor Heitor dos Prazeres, celebrando sua obra e sua visão de uma África presente no coração do Rio de Janeiro.

Samba-enredo – letra na íntegra

Sonhei macumbembê, sonho samborembá
Macumba é samba, e o samba é macumba
Pode até fazer quizumba
Só não pode é separar
Sonho samborembá, macumbembê
Vem da mãe terra, firmou ponto na Bahia
E na África pequena germinou pra florescer
Éh quilombo, é a Pedra do Sal
Arraigou em terreiro e quintal
No chão batido assentou o fundamento
Foi o lino de madrinha
De padrinho, espelhamento
Flutuou na capoeira ao perfume de Ciata
Negro príncipe de ouro, o anjo de asas de prata

Um ogan alabê, macumbeiro
À fumaça do cachimbo, preto velho soprou
Encanto da gira, da roda de bamba
Poesia da curimba, batuqueiro e cantador

Foi do lundu e do cateterê
Alinhou de linho santo, cavaquinho na mão
Apaixonado pierrot afro-rei
A flecha certeira de Oxóssi na canção
Reluz nas escolas, em Noel e Cartola
Ganhou o mundo, com o mundo de Paulo Brasão
De todos os tons, a Vila, negra é!
De todos os sons, a negra Vila é!
De china e ferreira
Mocambo macacos e o pau da bandeira
Da nossa favela, branca a azul do céu
No branco da tela o azul do pincel
Vem ser aquarela, pintar a Unidos de Vila Isabel

Oraieiê Oxum, kabecilê Xangô
Meus sonhos e tambores, tintas e Prazeres
Pra você, Heitor


Acadêmicos do Grande Rio

Eenredo “A Nação do Mangue”
A escola fará uma homenagem ao movimento cultural Manguebeat de Recife, Pernambuco, celebrando sua fusão de ritmos regionais (como maracatu) com rock, hip-hop e eletrônica, e sua mensagem de resistência e crítica social, destacando a cultura e a fauna local como o caranguejo.

Samba-enredo – letra na íntegra

Respeite os tambores do meu Ilê
Respeite a cadência do meu ganzá
À frente o estandarte do meu povo
Anuncia um tempo novo que nos faz acreditar!

Eu sou do mangue, filho da periferia.
Sobre uma palafita, Grande Rio anunciou
Ponta de lança e daruê
Dobra o gonguê… A revolução já começou!

Lá vem caboclo herdeiro de Zumbi
A nação está aqui
Não se curva ao poder
Escute, nossa gente vem da lama
Resistência que inflama
Quando toca o xequerê
É casa de gueto! Casa de gueto!
Nossa voz que não se cala
Batuque sem medo por direito é o toque das alfaias
Eu também sou carangueiro da beira do igarapé
Igapó trabalha cedo, cata o lixo da maré

Manamauê, maracatu, saluba ê nanã… Yabá!
A vida parecida com as águas
Não é doce como o rio
Nem salgada feito o mar

A margem… Já subiu para cidade
Entre tronco e cipó rebeldia dá um nó… Pensamento popular
Gramacho encontrou Capibaribe
Num mundo livre quero ver você cantar
Freire, ensine um país analfabeto
Que não entendeu o manifesto
Da consciência social
Chico! Manguebeat está na rua
Caxias comprou a luta
E transforma em carnaval!


Acadêmicos do Salgueiro

Enredo “A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau”
O enredo celebra a icônica carnavalesca Rosa Magalhães, falecida em 2024, com o título “A Delirante Jornada Carnavalesca da Professora que Não Tinha Medo de Bruxa, de Bacalhau e Nem do Pirata da Perna-de-Pau”, explorando seu universo criativo e legado, com a escola prometendo um desfile lúdico e repleto de referências a suas obras, como a inspiração em um croqui antigo para as baianas.

Samba-enredo – letra na íntegra

Eu viajei nos rococós da ilusão
Arte que me inspirou
Reencontrei, no mundo de imaginação
Memórias que você criou
Dos livros revi personagens
Barrocas imagens de tantas lembranças
Na mesa, o alto luxo da nobreza
Rei, princesa e a imperatriz
Ao visitar meus sonhos de faz de conta
Me desenhei criança, voltei a ser feliz

Que ti-ti-ti é esse pelo mundo a me levar?
Naveguei sem sair do meu lugar
Aportei no dia 22 de abril
À sombra de um pau-brasil

Assim descobri meu país
Fauna e flora, pelo seu olhar
Os donos da terra brasilis…
Um jegue me fez balançar…
Nas prateleiras do lado de cá do Equador
Devorei a nação
Andar na Ouvidor virou caso de amor
Pro meu coração

Mestra, você me fez amar a festa
E eu virei carnavalesco
Sonhei ser Rosa, te faço enredo
Mestra, você me fez amar a festa
Tantos alunos por aqui
Segue o legado na Sapucaí!

O lelê! Eis a flor dos amanhãs
A décima estrela brilha em Rosa Magalhães
Onde o samba é primavera, que floresce em fevereiro
Nem melhor, nem pior… Salgueiro!