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Castro exonera presidente do Rioprevidência após operação da PF

Investigação apura investimentos de alto risco com recursos do fundo previdenciário estadual

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Reprodução

O governador Cláudio Castro (PL) exonerou, na tarde desta sexta-feira, o presidente do Rioprevidência que havia apresentado carta de renúncia horas antes, após se tornar alvo da Operação Barco de Papel, deflagrada pela Polícia Federal. A ação investiga aplicações financeiras consideradas de alto risco feitas com recursos do fundo previdenciário estadual.

A operação cumpriu quatro mandados de busca e apreensão na sede do Rioprevidência, no Centro do Rio, e em residências localizadas nos bairros de Botafogo, Gávea e Urca, na Zona Sul. Os agentes apreenderam veículos de luxo, dinheiro em espécie, documentos e arquivos digitais.

Operação atinge cúpula do fundo previdenciário

Além do presidente exonerado, a Polícia Federal investiga o diretor de Investimentos, Eucherio Lerner Rodrigues, e o ex-gerente de investimentos Pedro Pinheiro Guerra Leal. O Rioprevidência é responsável pela gestão das aposentadorias e pensões de mais de 235 mil servidores estaduais.

Em carta divulgada após a renúncia, o ex-presidente afirmou ter atuado com “espírito público, correção e dentro dos mais elevados preceitos éticos”, rebatendo qualquer suspeita de ilegalidade em sua gestão.

O que foi apreendido pela Polícia Federal

Segundo balanço da PF, na sede da autarquia foram recolhidos documentos e arquivos digitais. Em residências de investigados, os agentes encontraram veículos de luxo blindados, dinheiro em espécie, celulares, notebooks, relógios, pen drives, HDs e documentos diversos.

As apreensões fazem parte do inquérito que apura possíveis crimes contra o sistema financeiro nacional, como gestão fraudulenta, desvio de recursos e corrupção passiva.

Investigações envolvem R$ 970 milhões em aplicações

A apuração, aberta em novembro de 2025, investiga nove operações financeiras realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2024, que resultaram na aplicação de cerca de R$ 970 milhões do Rioprevidência em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master.

Esses títulos, com vencimento entre 2033 e 2034, são usados por bancos para captação de recursos de longo prazo. O principal risco é a insolvência da instituição emissora, o que pode comprometer o pagamento das aposentadorias, já que os recursos fazem parte do caixa previdenciário estadual.

TCE apontou coincidência suspeita na mudança de comando

Três meses antes da operação, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) identificou uma “notável coincidência” entre a troca na cúpula do Rioprevidência e o início dos investimentos no Banco Master. Entre julho e outubro de 2023, foram nomeados os três dirigentes investigados.

O TCE também apontou celeridade incomum no processo de credenciamento do banco, aberto e concluído em menos de três semanas, com indícios de irregularidades administrativas.

Divergência de valores e crise no Banco Master

Enquanto o governo estadual afirma ter investido R$ 960 milhões no banco, o TCE calcula que o montante chega a R$ 2,6 bilhões ao incluir fundos administrados pela instituição e por sua corretora. Parte relevante desses recursos não teria cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

O Banco Master entrou em liquidação extrajudicial em novembro de 2025, após a prisão de seu controlador, Daniel Vorcaro, e é investigado por suspeitas de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado.