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Centenas de Pessoas Cruzam Fronteira entre Marrocos e Espanha

Autoridades locais decretam emergência humanitária e social após travessia em massa que já deixa nove mortos

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EPA/Reduan Dris

Centenas de migrantes cruzaram nesta quinta-feira (30) a fronteira entre Marrocos e o enclave espanhol de Ceuta, localizado no norte da África. Essa movimentação intensifica uma crise migratória de grande proporção que já levou aproximadamente 1.500 pessoas ao território espanhol nos últimos dias.

A situação foi classificada de forma oficial pelas autoridades locais como uma grave emergência humanitária e social. Até o momento, o cenário crítico deixou ao menos nove migrantes mortos durante as tentativas de travessia pelo mar. Diante da escalada da crise, o governo espanhol determinou o envio imediato de militares para reforçar a segurança de toda a região fronteiriça. Ceuta e Melilla representam os únicos territórios da União Europea dotados de fronteira terrestre direta com o continente africano.

Por esse motivo estratégico, essas cidades costumam funcionar como uma das principais portas de entrada para migrantes na Europa. Dados divulgados pelo Ministério do Interior da Espanha confirmam que as Forças Armadas foram mobilizadas para apoiar a Guarda Civil. Além da tropa militar, o governo anunciou o envio de mais 70 agentes extras para atuar diretamente na cidade de Ceuta.

Esse efetivo se soma a outros 80 profissionais que já haviam sido deslocados anteriormente para conter o fluxo migratório. Equipes especializadas de mergulho e embarcações do Serviço Marítimo também foram integradas às operações de resgate e monitoramento. Ao longo do dia, centenas de pessoas conseguiram atravessar a fronteira escalando e pulando a cerca divisória.

Outros grupos optaram por arriscar a travessia nadando diretamente pelo mar até alcançar a costa de Ceuta. Imagens transmitidas pela televisão pública da Espanha registraram agentes federais monitorando a chegada contínua dos migrantes.

Os registros visuais foram feitos nas imediações do principal posto fronteiriço da região afetada. Esta já é considerada a maior onda migratória registrada em Ceuta desde maio de 2021. Naquela ocasião histórica, mais de 10 mil pessoas cruzaram a fronteira terrestre e marítima em um intervalo de apenas dois dias. Relatos de um jornalista da AFP indicam que muitos migrantes celebraram efusivamente a chegada ao solo europeu. Alguns agradeceram à atuação da polícia espanhola e gritaram frases de comemoração como “Adeus, Marrocos, olá, Espanha!”.

Nas praias locais, boias de borracha e roupas abandonadas evidenciam o trajeto percorrido por quem nadou. As autoridades da Espanha confirmaram oficialmente a recuperação de nove corpos de migrantes que faleceram no mar. Historicamente, crises diplomáticas e migratórias entre os dois países costumam flutuar conforme acordos bilaterais de segurança.

A última grande crise dessa natureza havia sido encerrada em 2022. Isso ocorreu após o governo espanhol passar a apoiar formalmente o plano de autonomia para o Saara Ocidental. A referida proposta havia sido apresentada anteriormente pelo governo do Marrocos.

Apesar da enorme pressão registrada em Ceuta nesta semana, o cenário nacional apresenta outras rotas principais. A principal rota de entrada de migrantes irregulares na Espanha continua sendo o arquipélago das Ilhas Canárias. As ilhas estão situadas geograficamente no Oceano Atlântico, muito próximas à costa ocidental da África.

As operações de resgate, assistência humanitária e reforço de fronteira seguem em andamento pelas equipes espanholas.