Alvo de uma onda de vandalismo que tem deixado dezenas de sinais de trânsito apagados, a Zona Norte do Rio virou o laboratório de uma medida drástica. A CET-Rio passou a cobrir com concreto as tampas de ferro das caixas de passagem da rede semafórica, localizadas nas calçadas, para impedir o acesso de criminosos aos cabos de energia. Os bairros do Méier e do Cachambi foram os primeiros a receber a blindagem.
A técnica consiste em selar a estrutura para criar uma barreira física pesada contra as ferramentas usadas nos furtos. Um dos pontos concretados fica no cruzamento das ruas Getúlio e Cirne Maia, no Cachambi. A esquina da Rua Marechal Rondon com a Rua Henrique Dias também recebeu a proteção. Ambos os locais sofriam com um ciclo repetitivo: os técnicos do município faziam a manutenção da rede e, poucos dias depois, o cruzamento era novamente vandalizado.
Apesar do esforço, o reflexo do vandalismo ainda pune os motoristas. Moradores da região relatam que cruzamentos importantes, como nas ruas Padre Ildefonso Penalba e Castro Alves, continuam às escuras, além de registrarem falhas em série no corredor viário entre Rocha Miranda e Sampaio.
Prejuízo de R$ 2,9 milhões e queda nos índices
De acordo com o balanço mais recente da autarquia, a Zona Norte lidera com folga o ranking de furtos na capital, com concentração crítica nas regiões da Grande Tijuca e do Grande Méier. Apenas no primeiro semestre de 2026, a cidade registrou 1.633 ocorrências, que deixaram 455 semáforos temporariamente fora de operação. Ao todo, os criminosos arrancaram 63 quilômetros de cabos e levaram 38 controladores, gerando um rombo de R$ 2,9 milhões aos cofres públicos.
Mesmo expressivo, o cenário atual representa uma melhora em relação ao ano passado. No primeiro semestre de 2025, foram contabilizados 2.600 furtos que afetaram 543 semáforos, gerando perda de 53 quilômetros de fiação e prejuízo de R$ 2,3 milhões. A queda de 59% nas ocorrências é atribuída pela CET-Rio a um pacote de contenção adotado desde 2021, que inclui soldagem de caixas, garras antifurto, elevação de equipamentos em postes altos e o aterramento de fiação.
Em nota, a Polícia Militar informou que intensificou o patrulhamento no Cachambi, mas ressaltou que as quadrilhas monitoram a rotina das viaturas para agir em momentos de menor movimentação. O setor de inteligência da corporação trabalha em conjunto com a Polícia Civil — que recebe relatórios mensais da prefeitura — para mapear e fechar os ferros-velhos que alimentam o mercado receptador do cobre na região.








