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China investiga compartilhamento de conteúdo íntimo em grupos do Telegram

Imagens são publicadas em fóruns, que contam com mais de 100 mil participantes

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The Telegram application on a smartphone arranged in the Brooklyn Borough of New York, U.S., on Tuesday, Oct. 5, 2021. Signal and Telegram, two private messenger apps, saw downloads and user sign-ups soar during the extended downtime of Facebook Inc.s network of apps and services. Photographer: Gabby Jones/Bloomberg via Getty Images

Milhares de homens chineses teriam compartilhado fotos e vídeos íntimos de mulheres sem consentimento por meio do aplicativo Telegram, segundo denúncias divulgadas pela imprensa local. A revelação gerou uma onda de indignação nas redes sociais e renovou os apelos por mais proteção às mulheres no país.

De acordo com o jornal estatal Southern Daily, os conteúdos foram publicados em grupos com mais de 100 mil membros, majoritariamente homens. Muitas imagens foram tiradas sem o conhecimento das vítimas, e outras foram enviadas por ex-parceiros, namorados ou até maridos.

A denúncia ganhou força após o caso de uma estudante universitária expulsa de sua instituição por supostamente “manchar a dignidade nacional”. Imagens íntimas da jovem teriam sido divulgadas por um jogador ucraniano de e-sports, com quem ela se relacionava, através da mesma plataforma.

Segundo o Guangming Daily, jornal ligado ao Partido Comunista Chinês, os fóruns funcionavam como repositórios de conteúdo íntimo não autorizado, com homens trocando imagens de suas parceiras. O principal grupo identificado, chamado “Mask Park”, já foi removido, mas outros menores seguem ativos, segundo relatos de mulheres afetadas.

Apesar de ser proibido na China, o Telegram continua acessível por meio de VPNs. O aplicativo, que oferece criptografia de ponta a ponta, dificulta a identificação de quem compartilha os materiais.

Uma hashtag relacionada ao caso ultrapassou 230 milhões de visualizações na rede social Weibo, demonstrando a repercussão nacional do escândalo. O caso reacende o debate sobre privacidade digital, misoginia e a necessidade de medidas mais duras contra crimes virtuais envolvendo mulheres no país.