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Com tarifaço dos EUA, China amplia sinalizações de interesse em produtos brasileiros

Pequim credencia exportadores, celebra marcas nacionais e busca se consolidar como parceiro estratégico do Brasil

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Em meio à imposição de tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros pelo governo dos Estados Unidos, a China tem intensificado gestos para estreitar relações comerciais com o Brasil. O movimento, interpretado como estratégico diante da postura protecionista de Washington, se traduz em ações concretas, como o credenciamento de exportadores, e também em manifestações públicas da Embaixada da China.

Na plataforma X (antigo Twitter), a representação diplomática chinesa tem feito questão de destacar avanços nas trocas comerciais com o Brasil. No último dia 2 de agosto, por exemplo, enquanto produtores de café brasileiros lidavam com a retirada do produto da lista de exceções do tarifaço assinado por Donald Trump, a embaixada divulgava o credenciamento de 183 produtores nacionais para exportação de café ao mercado chinês. A medida, em vigor desde 30 de julho, terá validade de cinco anos.

Em postagens anteriores, o perfil já havia apontado o potencial de expansão do consumo de café na China, destacando que o consumo per capita é de apenas 16 xícaras por ano, frente à média global de 240. “O café vem conquistando espaço no dia a dia dos chineses”, afirma uma das publicações.

Além do café, o gergelim brasileiro também ganhou destaque. Ainda no início do mês, a embaixada anunciou o credenciamento de mais 30 empresas brasileiras para exportação do grão à China, totalizando 61 autorizadas. A medida decorre do protocolo de cooperação assinado em 2023 pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Xi Jinping, em Brasília.

Outro produto celebrado foi o açaí. Em postagem recente, a embaixada chinesa destacou o crescimento da presença da “superfruta amazônica” em grandes cidades como Pequim, Xangai, Shenzhen e Guangzhou. “Açaí conquista paladares na China!”, escreveu o perfil oficial, enfatizando o sabor único e os benefícios à saúde como atrativos para os consumidores locais.

A aproximação também passa pelo setor aeroespacial. A China flexibilizou regras para a compra de aeronaves brasileiras, em um processo que já estava em curso, mas que, segundo autoridades brasileiras, pode ter sido acelerado pelo contexto atual. Embora os jatos da Embraer tenham ficado de fora da sobretaxa de 40% imposta pelos EUA por razões políticas, ainda são impactados pela tarifa recíproca de 10% anunciada em abril por Trump.

O conjunto de ações reforça a tentativa da China de se consolidar como uma alternativa econômica relevante para o Brasil, sobretudo num cenário de tensões comerciais crescentes com os Estados Unidos.