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Corpo do cartunista Jaguar será velado nesta segunda no Rio

Jaguar foi um dos criadores do jornal satírico O Pasquim, em 1969.

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O corpo do cartunista Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe, o Jaguar, de 93 anos, será velado a partir das 12h desta segunda-feira (25/08) na capela celestial do Memorial do Carmo, na Zona Portuária. A cremação será às 15h, em cerimônia restrita a familiares e amigos próximos.

Jaguar morreu neste domingo (24) no Rio de Janeiro. O cartunista estava internado no hospital Copa D’Or, com infecção respiratória, que evoluiu para complicações renais.

Ainda segundo a unidade de saúde, nos últimos dias, ele estava sob cuidados paliativos.

Trajetória
Jaguar nasceu em 29 de fevereiro de 1932 no Rio de Janeiro, mas passou sua infância e parte da adolescência dividido entre as cidades de Juiz de Fora, em Minas Gerais, e Santos, em São Paulo.

Já de volta ao Rio, o cartunista começou a carreira desenhando na revista Manchete em 1952, aos 20 anos. Na época, ele trabalhava no Banco do Brasil, de onde só sairia nos anos 70.

Nos anos 1960, assumiu o pseudônimo que o acompanharia durante a vida profissional, após sugestão do colega desenhista Borjalo. O cartunista foi um dos criadores do jornal satírico O Pasquim, em 1969, com conteúdo ácido e crítico à ditadura militar vigente no Brasil.

Naquele período, lançou um de seus personagens mais conhecidos, o ratinho Sig, que também foi mascote do Pasquim. O cartunista foi preso durante a ditadura militar, após publicar uma charge em que fazia uma montagem do quadro “Independência ou morte”, em que Jaguar colocou a frase “Eu quero é mocotó” em um balão de diálogo.

“Eu fiz esse negócio e foi um deus-nos-acuda, rapaz! Eu tava viajando, na minha casa de pescador lá em Arraial do Cabo. Quando voltei, me aconselharam. ‘Se esconda Jaguar, tá todo mundo preso!'”, relatou em entrevista ao portal da ABI, em 2009. Jaguar se entregou e ficou preso por dois meses.

Nos anos 2000, foi indenizado pela comissão de Anistia devido à perseguição política ocorrida no período.

Durante sua carreira, Jaguar trabalhou com nomes como Ziraldo, Millôr Fernandes, Henfil e outros mestres das artes gráficas.

Além de criar o Pasquim, Jaguar também contribuiu com diversas revistas: Senhor, Civilização Brasileira, Pif-Paf e jornais como A Última Hora, Tribuna da Imprensa e O Dia.

Jaguar ainda lançou livros como “Átila, você é Bárbaro” em 1968, e “Ipanema, se não me falha a memória”, em 2000.