A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado entra na reta final com uma agenda decisiva. Para esta terça-feira (14), está previsto o depoimento do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), em uma sessão que também deve consolidar o desfecho das investigações conduzidas pelo colegiado.
A convocação de Cláudio Castro partiu de iniciativa do próprio relator. Ao justificar o pedido, Alessandro Vieira destacou o papel do estado fluminense como referência para o estudo das dinâmicas do crime organizado no Brasil.
“Historicamente, o Rio de Janeiro tem sido o laboratório das mais sofisticadas dinâmicas do crime organizado no país. Nos últimos anos, observou-se uma mutação alarmante nesse cenário: a outrora nítida divisão entre facções ligadas ao narcotráfico e grupos milicianos formados por agentes e ex-agentes de segurança pública deu lugar a uma simbiose criminosa, frequentemente denominada narcomilícia”, disse o relator da CPI.
Segundo o senador, a presença de organizações criminosas em estruturas institucionais reforça a necessidade de ouvir o ex-governador. Para ele, o depoimento é essencial para compreender o alcance dessas infiltrações.
“O depoimento do ex-Governador proporcionará a esta CPI um panorama macroestratégico inestimável, permitindo investigar as falhas e os gargalos institucionais que dificultam o combate à lavagem de dinheiro e à asfixia financeira do crime organizado, bem como a capilaridade da infiltração de criminosos no aparato estatal”, ressalta Vieira.
Além do depoimento de Castro, os senadores devem acompanhar a leitura do relatório elaborado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), responsável por sistematizar as conclusões da CPI. O documento será submetido à votação e poderá incluir pedidos de indiciamento de investigados, além de propostas para mudanças na legislação voltadas ao enfrentamento do crime organizado.






