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Crime organizado estrangula comércio e gera prejuízo de R$ 21 bilhões no Rio

Facções como o Comando Vermelho e o Terceiro Comando Puro e diferentes grupos milicianos adotam a mesma estratégia nas regiões sob sua influência

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reprodução TV Globo

O controle territorial exercido por facções criminosas e milícias no Rio de Janeiro atingiu um patamar sem precedentes, transformando os grupos armados em um poder econômico paralelo que dita as regras do mercado legal. Após consolidarem o domínio sobre serviços clandestinos e imporem barreiras físicas à circulação de moradores, essas organizações agora controlam diretamente a distribuição de produtos essenciais de consumo diário, como alimentos, gás de cozinha, materiais de construção e itens de limpeza.

Investigações apontam que a prática não se restringe a uma única sigla. Facções rivais como o Comando Vermelho (CV) e o Terceiro Comando Puro (TCP), além de diferentes grupos milicianos, adotam a mesma estratégia nas regiões sob sua influência.

O modus operandi é unificado: comerciantes locais são proibidos de escolher livremente seus distribuidores. Eles são obrigados a adquirir mercadorias exclusivamente de fornecedores indicados ou geridos pelos criminosos. Quem descumpre a ordem sofre ameaças de morte, depredação de estabelecimentos ou expulsão do bairro.

Inflação do crime e barreira ao investimento

Especialistas em segurança pública e economia alertam que esse modelo elimina a livre concorrência e cria monopólios territoriais artificiais. Como os fornecedores do crime operam sem concorrência, os preços estipulados ficam frequentemente muito acima da média de mercado.

O impacto atinge diretamente os dois extremos da cadeia:

  • Empresários: Perdem margem de lucro, operam sob constante terror psicológico e freiam qualquer plano de expansão ou novos investimentos.
  • Consumidores: Populações de áreas periféricas, historicamente mais vulneráveis, enfrentam uma inflação artificial e uma drástica redução na oferta e variedade de produtos básicos.

O rombo na economia formal

O impacto financeiro dessa atividade criminosa transbordou as fronteiras das comunidades e já afeta a macroeconomia do estado. Um levantamento detalhado da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) estima que o estrangulamento do comércio e da logística por forças paralelas gera um prejuízo anual de R$ 21,4 bilhões para a economia formal fluminense. O cenário afugenta multinacionais, reduz a arrecadação de impostos e destrói postos de trabalho legítimos, consolidando o crime organizado como o principal entrave ao desenvolvimento socioeconômico do Rio de Janeiro.