A Justiça Eleitoral e as forças de segurança do Rio de Janeiro a reforçarem as medidas para o primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Locais de votação situados em territórios considerados de alto risco foram transferidos, enquanto batalhões da Polícia Militar planejam operações especiais e solicitam aumento de efetivo para o dia da votação.
Levantamento feito com dados do Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) aponta que, entre 71 endereços alterados por questões de segurança analisados , 44 estavam em áreas com presença do Comando Vermelho (CV) e 16 em regiões associadas ao Terceiro Comando Puro (TCP).
As mudanças atingem aproximadamente 202 mil eleitores de 20 municípios. O número de cidades equivale a mais de um quinto dos 92 municípios fluminenses. Em atualização divulgada pelo próprio TRE-RJ, o tribunal informa que o total de locais substituídos por motivos de segurança chegou a 72.
TRE busca afastar votação de territórios dominados pelo crime
A estratégia é impedir que eleitores precisem entrar em áreas controladas por grupos criminosos para exercer o direito ao voto. Os novos endereços devem ficar fora de territórios dominados pelo tráfico ou por milícias, distantes de regiões de confronto entre facções e, sempre que possível, próximos aos pontos anteriormente utilizados.
Segundo o presidente do TRE-RJ, desembargador Claudio de Mello Tavares, houve casos, em eleições anteriores, nos quais criminosos abordaram e intimidaram eleitores nas proximidades dos locais de votação com a intenção de direcionar votos. “O objetivo das mudanças é garantir que o eleitor possa votar com tranquilidade, com base em escolhas feitas pela própria consciência. Livre de qualquer tipo de pressão”, afirma o desembargador.
A quantidade de alterações motivadas por segurança supera a registrada nas eleições municipais de 2024, quando 53 locais de votação foram substituídos em dez cidades.
Comando Vermelho aparece na maioria das áreas mapeadas
Rio das Ostras aparece com quatro locais. Itaperuna, São João de Meriti, Rio Bonito e Araruama têm dois cada. Há ainda um endereço em Campos dos Goytacazes, Resende, Cabo Frio, Japeri, Macaé e Nilópolis.
Outros 16 pontos foram associados a áreas com presença do TCP. Sete estão na cidade do Rio e cinco em Campos dos Goytacazes. Volta Redonda aparece com dois, enquanto Itaperuna e Pinheiral têm um endereço cada.
A milícia aparece associada a seis locais, sendo cinco em Nova Iguaçu e um na capital. O levantamento aponta ainda um endereço em Campos ligado à ADA e outro, na Zona Oeste do Rio, à chamada Liga da Justiça.
Há situações consideradas ainda mais complexas devido à disputa territorial. Em Itaguaí, um dos endereços está em uma região disputada pelo TCP e pela milícia. Em Vaz Lobo, na Zona Norte carioca, outro fica em uma área de divisa entre TCP e CV. Já em Bom Jesus do Itabapoana, no Noroeste Fluminense, foi identificada uma região de disputa envolvendo o CV e outros grupos.
PM pede reforço e prepara operações para o 1º turno
Além de tentar reduzir a exposição dos eleitores a territórios sob domínio criminoso, a transferência dos locais pode diminuir a necessidade de grandes operações para transportar as urnas. Segundo o presidente do TRE-RJ, em alguns endereços anteriormente utilizados era necessário empregar veículos blindados e forte escolta policial.
Batalhões da Polícia Militar já identificaram áreas que deverão receber atenção especial. Na Zona Norte da capital, o 41º BPM solicitou reforço de 147 policiais para o sábado anterior à votação e de 327 agentes para o domingo da eleição.
A área atendida pelo batalhão abrange bairros como Colégio, Irajá, Vista Alegre, Vila da Penha, Vicente de Carvalho, Vila Kosmos, Guadalupe, Ricardo de Albuquerque, Anchieta, Pavuna, Costa Barros, Barros Filho, Parque Colúmbia e Acari.
Documentos da unidade relacionam 44 comunidades não pacificadas e apontam os complexos do Chapadão, Pedreira e Acari, além da região do Juramento, entre os pontos de maior complexidade operacional. O cenário é relacionado a disputas de organizações criminosas pelo controle e expansão territorial.
Forças federais também vão atuar no Rio
O planejamento de segurança terá ainda participação federal. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) autorizou o emprego de forças federais no Rio de Janeiro para reforçar a segurança e assegurar a normalidade da votação e da apuração no primeiro turno.
A votação será realizada em 4 de outubro, das 8h às 17h. O TRE-RJ recomenda que os eleitores consultem previamente o endereço e a seção eleitoral, já que também houve mudanças de locais por outros motivos além da segurança.








