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Cursos de medicina mal avaliados pelo MEC cobram mensalidades que chegam a R$ 17 mil

Levantamento aponta que graduações com desempenho insuficiente no Enamed praticam valores acima da média e podem sofrer sanções

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Reprodução

Mesmo com desempenho considerado insuficiente pelo Ministério da Educação (MEC), cursos privados de medicina no Brasil chegam a cobrar mensalidades de até R$ 17 mil. Um levantamento publicado pela Folha de S.Paulo mostra que quase todas as instituições mal avaliadas no Exame Nacional das Escolas Médicas (Enamed) praticam valores superiores a R$ 10 mil por mês, patamar acima da mediana nacional do curso.

O Enamed, aplicado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), foi criado para medir a qualidade das graduações em medicina a partir do percentual de estudantes que atingem um nível mínimo de proficiência. Cada curso recebe uma nota de 1 a 5, sendo considerados satisfatórios apenas os resultados a partir de 3.

Metade dos cursos privados ficou abaixo do nível considerado adequado

Ao todo, 351 cursos de medicina foram avaliados na primeira edição do exame, dos quais 176 pertencem à rede privada. Praticamente metade dessas graduações particulares — 87 no total — ficou abaixo da nota considerada satisfatória pelo MEC, incluindo os quatro piores desempenhos do país.

A Folha levantou o valor das mensalidades de 69 desses cursos para o ano de 2026. Apenas sete cobram menos de R$ 10.866, valor que corresponde à mediana nacional do custo de estudar medicina no Brasil, segundo dados da consultoria Hoper Educação para 2025, sem considerar bolsas, descontos ou financiamentos.

Cursos com notas baixas concentram mensalidades acima de R$ 11 mil

De modo geral, a maioria das graduações que receberam notas 1 ou 2 no Enamed cobra mensalidades entre R$ 11 mil e R$ 15 mil. O pior desempenho do exame foi registrado pela Estácio do Pantanal, em Mato Grosso, onde apenas 15,4% dos estudantes atingiram o nível mínimo de proficiência. A mensalidade informada é de R$ 13.373,80.

O segundo pior resultado, com 21,3% de proficiência, também pertence ao grupo Estácio, no campus de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, que cobra R$ 12.771,15 por mês. Além desses dois cursos, a instituição mantém outros cinco classificados como insatisfatórios pelo MEC.

Instituições contestam resultados do Enamed

Em nota, a Estácio afirmou que “essa primeira edição do Enamed revelou tantos pontos de fragilidade que, no nosso entendimento, não refletem a realidade do ensino oferecido”. A instituição acrescentou que “não há como tirarmos conclusões ou análises sobre qualidade efetiva a partir do Enamed”.

Outras faculdades citadas na reportagem não responderam aos questionamentos. É o caso da Universidade Brasil, em Fernandópolis (SP), cujo curso recebeu nota 1, com 35,9% de proficiência, e da Fametro, de Manaus, que também obteve nota 1, com 38,9%.

Valores aumentam ao longo da graduação

Na Universidade Brasil, o estudante que ingressar em 2026 pagará R$ 11,2 mil de mensalidade nos quatro primeiros semestres. Nos quatro últimos, o valor sobe para R$ 17,3 mil, podendo cair para R$ 13,9 mil em caso de pagamento antecipado.

Já a Fametro cobra uma mensalidade base de R$ 10,9 mil, mas exige uma primeira parcela de R$ 20,9 mil dos novos alunos. A instituição não se manifestou sobre o desempenho no exame nem sobre a política de preços.

Afya cobra acima de R$ 15 mil e defende estrutura do curso

Outra graduação com mensalidade elevada é a Afya do Rio de Janeiro, que prevê pagamento de R$ 15,8 mil por mês. O curso recebeu nota 2 no Enamed, com 56,2% de proficiência, ficando próximo da faixa considerada satisfatória.

Em resposta, o grupo Afya afirmou que o Enamed “não pode ser interpretado isoladamente” e justificou o valor cobrado destacando a existência de seis centros de simulação, cerca de 3.000 publicações internacionais em 2024 e mais de 3 milhões de atendimentos gratuitos realizados desde 2019 em parceria com o SUS.

Cursos podem sofrer punições do MEC

No total, 99 cursos de medicina no país — considerando redes pública e privada — não alcançaram a nota mínima exigida pelo MEC. Essas graduações ficam sujeitas a punições como redução de vagas e suspensão do acesso a programas de financiamento estudantil, como o Fies.

A divulgação dos resultados do Enamed, no entanto, gerou forte reação do setor privado. A Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup) voltou a questionar o exame na Justiça, alegando problemas na apresentação dos dados.

Inep afirma que dados finais não foram afetados

O presidente do Inep, Manuel Palacios, afirmou que eventuais inconsistências ocorreram apenas em informações preliminares repassadas às instituições de ensino. Segundo ele, os problemas não afetaram os dados finais utilizados para calcular o desempenho dos estudantes e das faculdades no Enamed