Delegados da Polícia Federal decidiram intensificar a paralisação iniciada há duas semanas e aumentar a pressão sobre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A principal reivindicação é a criação de um fundo anticrime abastecido com recursos apreendidos em operações contra o crime organizado.
A mobilização, organizada pela Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal, foi ampliada com o movimento chamado “82 horas sem PF”, em referência ao aniversário da corporação. A paralisação deve ganhar força a partir desta semana.
Os impactos já começam a ser sentidos pela população, com atrasos na emissão de passaportes e redução de atendimentos em diferentes áreas. Segundo a entidade, cerca de 90% dos inquéritos conduzidos pela PF sofrem algum tipo de impacto, e há preocupação com possíveis reflexos em operações policiais.
A ADPF afirma que serviços considerados essenciais seguem mantidos, como investigações envolvendo autoridades com foro privilegiado e casos relacionados a crimes contra crianças, idosos e prevenção de violência.
A categoria cobra o cumprimento de uma promessa feita pelo ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, que previa a criação do Fundo Nacional de Combate às Organizações Criminosas. A proposta ainda não saiu do papel.
Segundo os delegados, operações recentes resultaram na apreensão de cerca de R$ 9,5 bilhões, valores que hoje são destinados ao Tesouro Nacional. A ideia é que esses recursos passem a financiar o novo fundo e sejam distribuídos entre forças como a própria Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Penal.
Nos bastidores, a direção da PF, sob comando de Andrei Rodrigues, atua para reduzir os impactos da paralisação e manter o funcionamento dos serviços essenciais.






