Os exaustores de ar do subsolo do Shopping Tijuca, na Zona Norte do Rio, onde teve início o incêndio que deixou dois mortos e três feridos, já haviam sido alvo de denúncia em 2023. Documentos obtidos apontam que dois restaurantes localizados nessa área foram notificados pelo Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro em abril daquele ano.
Ainda não há confirmação se algum dos exaustores foi a origem do fogo. As causas do incêndio permanecem desconhecidas, já que a perícia da Polícia Civil do Rio de Janeiro não pôde ser realizada devido à intensa concentração de fumaça no local. Mais de 60 horas após o início do incêndio, cerca de 50 bombeiros seguem atuando no estabelecimento. Segundo o secretário de Estado de Defesa Civil e comandante-geral do CBMERJ, coronel Tarciso Salles, os trabalhos devem se estender por mais alguns dias.
Em 2023, o 11º Grupamento de Bombeiro Militar (Vila Isabel) recebeu solicitação do deputado estadual Rodrigo Amorim para verificar as condições de segurança contra incêndio e pânico no shopping. O pedido foi feito após denúncias sobre exaustores que estariam expelindo fumaça no subsolo. No local, o próprio coordenador de segurança relatou o problema aos militares, que envolvia dois restaurantes.
Em ofício encaminhado à Diretoria-Geral de Serviços Técnicos, o comandante do 11º GBM informou que os estabelecimentos já haviam sido notificados e anexou documentos assinados pelos responsáveis. Amorim afirmou que, desde o início de seu mandato, recebe denúncias recorrentes sobre o shopping e disse que a estrutura do prédio gera preocupação desde a inauguração, em 1996, em razão de sucessivas ampliações e reformas ao longo dos anos.
Em resposta, o Corpo de Bombeiros informou que os processos de fiscalização e regularização seguem em andamento. Um dos restaurantes já solicitou o Certificado de Aprovação, mas teve o pedido indeferido por pendências documentais. O outro foi novamente notificado em novembro de 2025, e o prazo para adequação ainda está em vigor.
Em nota, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro informou que esteve no shopping e encaminhou ofício solicitando informações sobre medidas de engenharia de segurança do trabalho. O conselho ressaltou que o estabelecimento deve cumprir normas brasileiras de evacuação de edificações e que todas as instalações de segurança contra incêndio e pânico exigem Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), emitida por engenheiro habilitado.






