A Praia de Copacabana é o palco, nesta sexta-feira (1º), de uma mobilização que busca marcar a história das lutas trabalhistas no Brasil. A partir das 14h, no Posto 5, centrais sindicais, partidos políticos e movimentos sociais se reúnem para o ato unificado do Dia do Trabalhador. O foco central deste ano é a pressão popular pelo fim da escala 6×1 (seis dias de trabalho para um de descanso) e a redução da jornada para 40 horas semanais sem redução salarial.
A mobilização ocorre em um contexto de forte apoio popular. Segundo dados recentes do Instituto Datafolha, 71% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6×1. O entusiasmo é ainda maior entre a juventude: 83% dos entrevistados entre 16 e 24 anos defendem a mudança.
Impacto econômico reduzido
O argumento de que a redução da jornada prejudicaria a economia é rebatido por estudos técnicos. Uma análise de Felipe Vella Pateo, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), indica que o impacto nos custos para grandes empregadores é mínimo. No setor do comércio varejista, que emprega 7 milhões de pessoas no país, o aumento no custo do trabalho seria de apenas 1,04%. Segundo o pesquisador, o fim da escala 6×1 equivale, na prática, a uma medida de valorização do salário-mínimo.
Foco na via legislativa
Para Duda Quiroga, integrante da Executiva Nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT-RJ), o momento exige agilidade política. A dirigente defende que a mudança ocorra via projeto de lei enviado pelo governo federal, em vez de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC), para acelerar a tramitação no Congresso.
“Sem democracia e soberania, vivemos retrocessos como a reforma trabalhista. O desafio de 2026, sendo um ano eleitoral, é recuperar direitos coletivos”, afirmou Quiroga, destacando o caráter político do ato na Avenida Atlântica.
Pautas sociais e geopolíticas
Além das reivindicações trabalhistas, o protesto incorpora temas urgentes da agenda social e internacional. Estão no topo das prioridades o combate ao feminicídio e à violência contra a mulher, a regulamentação do trabalho por aplicativos e o combate à “pejotização” (uso de contratos de pessoa jurídica para mascarar vínculos empregatícios).
No plano internacional, os manifestantes levantam bandeiras em defesa da soberania nacional e da paz no Oriente Médio.










