O anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa foram capturados e retirados do país provocou reações imediatas no Brasil. Políticos da direita comemoraram publicamente a ofensiva, embora também tenham surgido manifestações críticas ao uso da força militar contra um Estado soberano.
A ofensiva americana ocorreu após múltiplas explosões atingirem a capital venezuelana, Caracas, e outras regiões do país durante a madrugada. O governo venezuelano declarou estado de emergência e afirmou ter sido alvo de uma agressão militar, com ataques também nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira, levando à mobilização das forças de defesa.
Celebração entre aliados do bolsonarismo
Entre os primeiros a se manifestar, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, celebrou a captura de Maduro e associou o episódio a um enfraquecimento de governos de esquerda na América Latina.
Em publicação nas redes sociais, afirmou que o regime venezuelano é um pilar financeiro, logístico e simbólico do Foro de São Paulo e disse que líderes como Lula e Gustavo Petro enfrentarão dias difíceis, encerrando a mensagem com a expressão Viva a liberdade.
O senador Sergio Moro também comemorou a notícia. Em suas redes sociais, escreveu que se trata do fim de Maduro, o tirano de Caracas, avaliando o desfecho como positivo para a Venezuela e para o mundo.
Discurso duro e apelos por efeito dominó
O deputado federal Nikolas Ferreira adotou um tom ainda mais contundente ao comentar o episódio. Em mensagem publicada na rede X, escreveu que todos os ditadores da América Latina, sejam presidentes ou juízes, deveriam ter o mesmo destino.
Na mesma linha, o senador Cleitinho Azevedo comemorou a ação e afirmou, em vídeo divulgado nas redes sociais, que espera que o presidente Lula divulgue uma nota apoiando integralmente a ofensiva americana. Ele declarou que Maduro deveria ser preso para que a Venezuela possa ser libertada.
Já o deputado Mauricio Marcon, vice-líder da oposição na Câmara, afirmou que o regime ditatorial na Venezuela acabou e classificou a queda do governo chavista como a principal notícia do sábado.
Críticas à intervenção militar
Em posição distinta, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, fez uma manifestação mais ponderada. Embora tenha condenado o regime de Maduro, que segundo ele viola direitos humanos, sufoca liberdades e impõe sofrimento ao povo venezuelano, Leite afirmou que a violência exercida por uma nação estrangeira contra outra soberana, à margem dos princípios básicos do direito internacional, especialmente o da não intervenção, também é inaceitável.
A declaração evidenciou uma divisão dentro da direita brasileira, que majoritariamente celebrou a captura de Maduro, mas registrou vozes que alertam para os riscos e implicações do uso da força militar fora das normas do direito internacional.
Repercussão em meio à crise regional
As reações ocorrem em um momento de forte instabilidade na Venezuela, com o país sob estado de emergência e com incertezas sobre os próximos passos após a retirada de Maduro do território nacional. No Brasil, o episódio reacende o debate sobre política externa, democracia na América Latina e os limites da atuação de potências estrangeiras na região.






