A direita voltou a aparecer numericamente à frente da esquerda na matriz ideológica dos brasileiros, segundo nova pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (3). O levantamento aponta que 44% da população com 16 anos ou mais se identifica com posições de direita ou centro-direita, enquanto 39% são classificados como de esquerda ou centro-esquerda. Outros 17% ocupam posições de centro. O resultado representa uma inversão em relação ao cenário registrado em 2022, quando a esquerda somava 49% e a direita, 34%. A diferença atual de cinco pontos percentuais supera a margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos para mais ou para menos.
Segundo o Datafolha, a principal mudança ocorreu nas questões ligadas ao comportamento, e não à economia. Nesse eixo específico, a direita passou a reunir 52% dos entrevistados, enquanto a esquerda aparece com 29% e o centro, com 20% — em 2022, os dois lados estavam praticamente empatados. Entre os temas avaliados estão segurança pública, porte de armas, pobreza, religião, criminalidade e homossexualidade.
A maior mudança foi registrada na percepção sobre a pobreza: o percentual de brasileiros que a atribuem à “preguiça de pessoas que não querem trabalhar” subiu de 22% para 40%. Já aqueles que a associam à falta de oportunidades iguais caíram de 76% para 58%, embora essa ainda seja a posição predominante no país.
Além disso, outros indicadores reforçam a guinada conservadora no comportamento:
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Armamento: O apoio ao direito de possuir armas legalizadas subiu de 35% para 41%.
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Maioridade Penal: A fatia que defende punir adolescentes que cometem crimes como adultos cresceu de 65% para 70%.
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Pauta LGBTQIA+: Caiu de 79% para 72% o percentual de pessoas que afirmam que a homossexualidade deve ser aceita pela sociedade.
Apesar da guinada comportamental, as posições identificadas com a esquerda continuam predominando nas questões econômicas. Nesse eixo, 46% dos entrevistados foram classificados à esquerda, contra 28% à direita e 26% ao centro. Ao mesmo tempo, o brasileiro se mostra dividido: enquanto 65% afirmam que depender menos do governo melhora a vida, 71% consideram que o Estado deve ser o principal responsável pelos investimentos e pelo crescimento, e 56% defendem a proteção das leis trabalhistas.
O levantamento também revela recortes demográficos importantes. Entre os homens, metade (50%) foi classificada à direita, enquanto entre as mulheres ocorre o inverso: 44% estão à esquerda e 37% à direita. No segmento religioso, a direita predomina entre os evangélicos (52% contra 30%), enquanto há empate técnico entre os católicos (43% de direita e 39% de esquerda).
Metodologia: A classificação ideológica não foi baseada em autodeclaração, mas sim em uma matriz construída a partir de respostas sobre 16 temas de comportamento e economia. A pesquisa foi realizada presencialmente nos dias 17 e 18 de junho, ouvindo 2.004 eleitores em 139 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais (confiança de 95%) e o registro no TSE é BR-09956/2026.










