O Disque Direitos Humanos, conhecido como Disque 100, encerrou 2025 com o maior número de denúncias de trabalho escravo e de condições análogas à escravidão já registrado. Ao longo do ano, o canal recebeu 4.516 denúncias, o que representa um crescimento de 14% em relação a 2024, quando foram contabilizados 3.959 registros.
Os dados consolidam o maior patamar anual da série histórica desde 2011, ano em que o serviço passou a receber denúncias específicas sobre esse tipo de violação. Desde então, mais de 26 mil denúncias relacionadas a trabalho escravo foram feitas em todo o país.
Segundo o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, o Disque 100 tem papel central ao receber, qualificar e encaminhar as informações aos órgãos competentes, contribuindo para a responsabilização dos envolvidos e para a garantia de direitos às vítimas.
Para o coordenador-geral de Erradicação do Trabalho Escravo, Paulo Cesar Funghi, o crescimento dos registros confirma que o crime segue presente no país e demanda ações permanentes de enfrentamento. Ao mesmo tempo, segundo ele, o resultado demonstra o fortalecimento dos instrumentos de denúncia. “O Disque 100 tem papel central nesse processo ao qualificar o recebimento das informações e encaminhá-las aos órgãos competentes”, afirmou.
A coordenadora-geral do Disque 100, Franciely Loyze, destacou que a elevação dos números reflete uma população mais consciente e menos receosa de denunciar, especialmente por se tratar de um canal sigiloso que também presta orientações às vítimas e denunciantes.
Somente em 2025, o Governo do Brasil realizou 2.772 resgates de pessoas em situação de trabalho análogo à escravidão, em 1.594 ações fiscais em todo o território nacional. As operações garantiram o pagamento de mais de R$ 9 milhões em verbas rescisórias às vítimas, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego.
O maior resgate do ano ocorreu entre julho e outubro, quando 586 trabalhadores foram libertados de uma usina de etanol em Porto Alegre do Norte, no Mato Grosso. A investigação teve início após um incêndio em alojamentos e identificou superlotação, falta de água e energia elétrica, além de condições precárias de higiene e jornadas que chegavam a 16 horas diárias.
Além dos resgates, mais de 48 mil trabalhadores tiveram direitos trabalhistas assegurados durante fiscalizações, mesmo nos casos em que não foi caracterizada a condição de trabalho análogo à escravidão.
Em 2025, os estados com mais ações fiscais foram São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Goiás. Já o maior número de trabalhadores resgatados foi registrado em Mato Grosso, Bahia, Minas Gerais, São Paulo e Paraíba.
São Paulo liderou também o número de denúncias recebidas pelo Disque 100, seguido por Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia e Rio Grande do Sul.
As denúncias abrangem desde trabalho escravo infantil até casos envolvendo adultos submetidos a jornadas exaustivas, condições degradantes, servidão por dívida e restrição de liberdade, reforçando o Disque 100 como principal porta de entrada nacional para a identificação dessas violações.






