Ouça agora

Ao vivo

Reproduzir
Pausar
Sorry, no results.
Please try another keyword
Morre Alexandre Fraga, criador da série “Impuros”, no Rio
Famosos
Morre Alexandre Fraga, criador da série “Impuros”, no Rio
Primeira-ministra da Itália critica ataques de Trump ao papa Leão XIV
Mundo
Primeira-ministra da Itália critica ataques de Trump ao papa Leão XIV
TRE vai homologar retotalização de votos de Rodrigo Bacellar após cassação
Política
TRE vai homologar retotalização de votos de Rodrigo Bacellar após cassação
Unidade Popular lança Juliete Pantoja como pré-candidata ao governo do Rio
Política
Unidade Popular lança Juliete Pantoja como pré-candidata ao governo do Rio
Cine Lage apresenta documentários sobre Heitor dos Prazeres, Gal Costa, Mutantes e outros
Entretenimento
Cine Lage apresenta documentários sobre Heitor dos Prazeres, Gal Costa, Mutantes e outros
Prefeitura do Rio terá frota própria e coloca 77 novos ônibus nas ruas
Rio de Janeiro
Prefeitura do Rio terá frota própria e coloca 77 novos ônibus nas ruas
Uso do cartão de crédito dispara no Brasil e acende alerta para aumento das dívidas
Economia
Uso do cartão de crédito dispara no Brasil e acende alerta para aumento das dívidas

Entregadores e motoristas de aplicativos ameaçam greve nacional

Categoria pressiona Congresso por aprovação do PL dos Aplicativos

Siga-nos no

Reprodução

O Projeto de Lei Complementar 152, que busca regulamentar o trabalho por aplicativos no Brasil, chega a um momento decisivo na Câmara dos Deputados em meio a forte pressão de trabalhadores e divergências políticas. A proposta enfrenta resistência crescente às vésperas da análise do novo relatório, prevista para esta semana.

A mobilização ganhou força com a convocação de uma paralisação nacional de motoristas e entregadores, marcada para esta terça-feira (14/04), coincidindo com a possível votação do texto. A iniciativa expõe o impasse entre categorias profissionais, empresas de tecnologia e o próprio governo federal, que recuou de seu apoio inicial ao projeto.

Pressão das ruas e mobilização nacional

Lideranças de trabalhadores intensificaram a articulação para pressionar o Congresso. Caravanas de diferentes estados estão sendo organizadas com destino a Brasília, onde está prevista uma concentração ao longo de dois dias.

“Marcamos a paralisação para o dia de votação do relatório”, explica Carina Trindade, presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Aplicativos de Transporte Privado e Logística do Rio Grande do Sul. “Estão saindo carreatas de vários estados para fazer concentração lá em Brasília na terça e na quarta”, acrescenta Luiz Corrêa, presidente do Sindmobi, entidade de motoristas do Rio de Janeiro. “O objetivo [da greve] é enterrar o PLP 152”, resume Nicolas Souza Santos, secretário da Aliança Nacional dos Entregadores de Aplicativo.

A principal insatisfação gira em torno da remuneração e das condições de trabalho. Motoristas e entregadores defendem a criação de valores mínimos por corrida e limites mais rígidos para as taxas cobradas pelas plataformas.

Governo recua e amplia incerteza

O cenário político do projeto se tornou ainda mais incerto após o governo federal retirar o apoio à proposta. O ministro Guilherme Boulos, responsável pela interlocução com o setor, atribuiu a mudança ao conteúdo do novo relatório.

“Visivelmente, houve um lobby das plataformas — da Uber, do iFood, da 99 — para garantir os interesses delas”, avalia Boulos. “Nós fechamos uma posição de governo contrariamente ao texto, pelos retrocessos no último relatório do do Augusto Coutinho”, acrescenta.

A retirada de apoio ocorre em um momento delicado, já que o projeto era tratado como prioridade para a regulamentação do setor. A movimentação também influenciou parlamentares, inclusive da oposição, que passaram a questionar pontos do texto.

Principais mudanças no relatório

O relatório apresentado pelo deputado Augusto Coutinho trouxe alterações relevantes, especialmente na questão da remuneração. Para motoristas, o texto não prevê mais uma tarifa mínima por corrida, como constava em versões anteriores, mas estabelece um limite médio semanal de 30% para as taxas cobradas pelas plataformas.

No caso dos entregadores, a proposta fixa pagamento mínimo de R$ 8,50 para corridas de até 4 quilômetros, valor inferior ao reivindicado por lideranças da categoria, que defendem piso de R$ 10, além de adicional por quilômetro.

Outro ponto de divergência é a ausência de previsão de pagamento integral para pedidos agrupados em uma mesma rota, uma das principais demandas dos trabalhadores.

O texto também retoma a possibilidade de remuneração por tempo efetivamente trabalhado, com valor-hora equivalente a dois salários mínimos. A proposta, no entanto, é criticada por parte da categoria, que defende a chamada hora logada, considerando todo o período em que o trabalhador permanece disponível no aplicativo.

Natureza do vínculo e papel das plataformas

Além das regras de remuneração, o relatório estabelece que motoristas e entregadores sejam considerados trabalhadores autônomos plataformizados, sem vínculo empregatício. A relação jurídica é definida como de natureza civil, o que transfere eventuais disputas para a Justiça Comum.

A proposta também classifica os aplicativos como empresas de tecnologia responsáveis pela intermediação entre usuários e prestadores de serviço, ponto considerado estratégico pelas plataformas, especialmente sob o aspecto tributário.

Em nota, a associação que representa as principais empresas do setor informou que ainda avalia os impactos do texto, mas apontou preocupações com medidas que podem afetar o equilíbrio das operações.

Empresas defendem regulamentação

Apesar de ressalvas pontuais, empresas do setor defendem a aprovação do projeto. Em artigo recente, o CEO do iFood destacou a relevância da proposta para ampliar a proteção social dos trabalhadores.

“O projeto representa a maior possibilidade de inclusão previdenciária do Brasil desde a criação do MEI. Para o iFood, isso significa uma despesa em torno de R$ 500 milhões apenas no ano que vem, quantia que deve aumentar à medida que crescemos”, escreveu Diego Barreto.

O modelo proposto prevê contribuição previdenciária com alíquota de 20% para as empresas e de 5% para os trabalhadores, calculadas sobre parte da remuneração.

Cenário indefinido no Congresso

Com a intensificação dos protestos, a retirada de apoio do governo e a divisão entre parlamentares, o futuro do PLP 152 permanece incerto. A proposta, que poderia avançar rapidamente na Câmara, agora enfrenta obstáculos que podem adiar sua votação, especialmente em um contexto pré-eleitoral.

A semana será decisiva para definir se o texto será levado ao plenário ou se novas negociações serão necessárias para tentar construir um consenso entre os diferentes atores envolvidos.