Entregadores por aplicativo realizam uma paralisação em diversas cidades do estado do Rio de Janeiro nesta quinta-feira (30), em um movimento que já provoca impactos no serviço de delivery e mobilizações em pontos estratégicos da capital e da Região Metropolitana.
Na Zona Sul do Rio, um grupo de entregadores faz manifestação na Avenida Atlântica, na altura da Rua Princesa Isabel, em Copacabana. O protesto teria começado após relatos de agressão contra trabalhadores da categoria. Em resposta, os manifestantes bloquearam a via com lixeiras da Comlurb, além de posicionarem motos e bicicletas para impedir a passagem de veículos. Apenas motocicletas conseguem atravessar o bloqueio.
Ainda na capital, mais cedo, entregadores realizaram mobilizações em restaurantes do Centro e da Zona Sul, pedindo que gerentes desligassem os aplicativos de entrega em apoio à paralisação.
Segundo relatos dos trabalhadores, o movimento já teria chamado a atenção da diretoria do iFood em São Paulo. Já a plataforma 99, de acordo com os manifestantes, teria tentado reduzir os efeitos da paralisação ao lançar promoções ao longo do dia.
Há também registros de tensão entre os próprios entregadores. Trabalhadores que não aderiram ao protesto teriam sido orientados a não trabalhar nesta quinta (30) e sexta-feira (1º). Em alguns casos, foram relatados pneus de bicicletas danificados e discussões com motociclistas que decidiram seguir em atividade.
A mobilização faz parte do movimento conhecido como “Breque dos Apps RJ 2026”, que reúne entregadores em diferentes regiões do estado. Em Niterói, um dos principais pontos de concentração é a Rua Gavião Peixoto, em Icaraí, além do entorno do Plaza Shopping e do Centro da cidade.
O movimento também registra adesão em municípios como São Gonçalo, Duque de Caxias, Nova Iguaçu e outras áreas da Baixada Fluminense, além de diferentes pontos da capital fluminense.
A paralisação já afeta o funcionamento dos serviços de entrega. Consumidores relatam dificuldade para fazer pedidos, enquanto alguns estabelecimentos informam a suspensão temporária das entregas.
De acordo com os organizadores, a principal pauta do movimento é o fim de práticas adotadas pelas plataformas que, segundo os trabalhadores, vêm reduzindo a renda da categoria. Entre as reivindicações estão o fim da modalidade “+Entrega”, que teria diminuído a taxa mínima por corrida; o encerramento das chamadas Operações Logísticas (OLs), consideradas pelos entregadores como um modelo que reduz oportunidades para autônomos; e o fim do sistema de prioridades, que, segundo o grupo, favorece determinados perfis de trabalhadores.
Os entregadores também cobram melhores taxas, mais transparência nos pagamentos e condições mais justas de trabalho.
Com a adesão em várias cidades, a expectativa é de aumento nos atrasos, redução na oferta de entregadores e suspensão parcial dos serviços ao longo dos dois dias de paralisação, que começou nesta quinta-feira (30) e segue até sexta-feira (1º).
A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) reagiu, afirmando que suas empresas associadas, como iFood, Rappi e 99, buscam equilibrar os interesses de entregadores e consumidores. A associação apoia a regulamentação do setor, focando na segurança jurídica e proteção social. A Amobitec também destacou que a renda média dos entregadores teve um aumento real de 5% acima da inflação, alcançando R$ 31,33 por hora trabalhada.
O iFood, por sua vez, enfatizou seu respeito ao direito de manifestação pacífica e abriu diálogo com os entregadores, prometendo reajustar os valores pagos por quilômetro ainda no decorrer do ano. Além disso, a empresa ressaltou que oferece seguro pessoal gratuito, acesso a plano de saúde, suporte jurídico e psicológico, programas educacionais e canais para denúncias de assédio, agressão ou discriminação.










