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Espécies de aves e caranguejos voltam a habitar manguezal no entorno do aterro sanitário de Gramacho

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Foto: Divulgação

O avanço na recuperação dos manguezais no entorno do antigo aterro sanitário de Jardim Gramacho, na Baixada fluminense, vem mudando a paisagem do terreno às margens da Baía de Guanabara. Antes, tomado por montanhas de lixo e urubus, a área, agora, está coberta por vegetação nativa. O terreno, que por 40 anos recebeu toneladas de lixo, está sendo recuperado com o plantio de 150 mil mudas de três tipos de mangue: o branco, o vermelho e o negro. O programa de reflorestamento e o manejo feitos no local já vêm apresentando sinais de recuperação.
A regeneração do ecossistema trouxe de volta aves como Maçarico, Colhereiro e Penrilongo, assim como diferentes espécies de caranguejos, como Uçá, Guaiamum e Aratu. Até mamíferos, como capitavas e gambás, são vistos com frequência, além de jacarés e jiboias. A área recuperada corresponde a 1,150 milhão de metros quadrados. Outros 200 mil metros quadrados ainda farão parte do programa.

Até 1995, a região era considerada por especialistas um ”purgatório sócio-ambiental” onde quase tudo tinha sido arrasado pela presença do despejo de lixo e pela produção de chorume, que escoava, sem tratamento, para a Baía de Guanabara. Por dia, eram despejados cerca de 10 mil toneladas de resíduos sólidos, sem tratamento, no terreno.

A partir de 1997, com a transformação do lixão em aterro sanitário controlado, com a adoção de medidas para evitar o escoamento de chorume em direção aos manguezais, associado aos plantios das espécies vegetais de manguezal, o ambiente foi sendo recuperado gradualmente.

O biólogo Mário Moscatelli, que presta consultoria para a Statled Brasil, empresa que desde 2020 faz a gestão do aterro, ressalta a importância das ações de recuperação ambiental para garantir condições mínimas de sobrevivência dos manguezais.

“O ecossistema reage de forma admirável quando damos essas condições ao meio ambiente, mesmo nos piores cenários da Baía de Guanabara”.

Moscatelli reforça ainda o papel fundamental dos mangues, berçários da vida marinha e protetores da zona costeira.

“Os manguezais combatem a erosão, melhoram a qualidade da água contaminada por esgoto e ainda possuem a capacidade de acumular, em média, 10 vezes mais carbono do que qualquer outro ecossistema. Ou seja, funciona como uma ferramenta natural no combate ao aquecimento global e a proteção da costa.

O fechamento do aterro, que já foi considerado maior lixão da América Latina, ocorreu em 2012.