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Estado do Rio reduz surgimento de novos casos de HIV

Ampliação do acesso à PEP e à PrEP impulsiona redução na última década

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Reprodução

O Estado do Rio teve redução significativa nos novos casos de Aids. O índice de 2024, que acaba de ser divulgado, é o menor da série histórica dos últimos dez anos, descartando o período da pandemia. O resultado positivo é consequência da estratégia da Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) de ampliar a prevenção ao HIV/Aids com o aumento da oferta de medicamentos antirretrovirais. O estado tem a maior rede de unidades de Profilaxia Pós-Exposição (PEP) contra o vírus do HIV no país.

Em 2014, o índice de novos casos de Aids foi de 28,3 por 100 mil habitantes. Em 2024, o número caiu para 22,2 casos, o segundo menor índice registrado nesta década. A estratégia conhecida como prevenção combinada, usa diferentes métodos para aumentar a segurança das práticas sexuais.

Um dos principais é o fornecimento dos medicamentos antirretrovirais. A SES-RJ conta com 375 polos em 64 municípios que oferecem a tecnologia da PEP para a população, destinada à quem teve uma possível exposição ao vírus.

“Esse resultado reflete nosso esforço constante em tecnologia, acolhimento e a parceria com os municípios fluminenses. Queremos que a prevenção chegue a todos, e trabalhamos para a ampliação do acesso a esse serviço ”, afirma a secretária de Estado de Saúde, Claudia Mello.

Atualmente, 99 mil pessoas no estado possuem carga viral suprimida de HIV — com o vírus indetectável nos exames — e que não transmitem o vírus para suas parcerias. Esse avanço fortalece o sistema imunológico e reduz doenças relacionadas à Aids.

As unidades da rede estadual de saúde contam com um protocolo próprio para o acolhimento e atendimento das pessoas com suspeita de exposição ao HIV. O objetivo é garantir privacidade e rapidez no acesso à terapias como a PEP, destinada para pessoas que tenham tido exposição ao HIV, seja de forma consentida, acidental, ou em situação de violência.

O acesso ao tratamento deve ocorrer em até 72 horas após o contato, e leva 28 dias ao todo. Se dá mediante um teste rápido para o vírus, que, combinado com outros critérios, determina a necessidade da prescrição dos medicamentos.

As mulheres cisgênero são as principais usuárias da tecnologia, representando 39,8% do público. Homens cis heterossexuais somam 29,1% das retiradas. Já homens cis que fazem sexo com homens representam 27,1%. Mulheres trans, homens trans e pessoas não binárias também utilizam o serviço.

Mais autonomia com a PrEP

A Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) também avançou no território fluminense. Atualmente, 47 municípios contam com o fornecimento deste medicamento, indicado para pessoas que se consideram em risco de exposição ao HIV. Ela pode ser usada de forma contínua ou sob demanda. Em 2025, o estado registrou 60.802 retiradas desses medicamentos.

“A PrEP garante autonomia para quem deseja se proteger. Lembramos que faz parte da prevenção combinada, que alia diferentes métodos, como vacinação e medicamentos, para evitar Infecções Sexualmente Transmissíveis. Nosso trabalho visa orientar o uso correto de cada tecnologia e acolher todos os usuários” explica a gerente de IST/Aids da SES-RJ, Juliana Rebello.

A maioria dos usuários da PrEP possui entre 30 e 39 anos (40,9%), seguida pela faixa etária de 25 a 29 anos (21%). Das 16.596 pessoas que fazem uso contínuo da PrEP em 2025, 51% se declaram brancas, 29% pardas e 20% pretas. Quanto à identidade de gênero e orientação sexual das pessoas que já retiraram a tecnologia alguma vez, 78,7% são homens cis que fazem sexo com outros homens; 9,3% homens cis heterossexuais; 6,2% mulheres cis; 3,2% mulheres trans; 1,9% homens trans; 0,6% pessoas não binárias e 0,1% travestis.