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Estado do Rio teve mais de 56 mil mortes violentas em dez anos

Levantamento da Firjan revela que o total de vítimas entre 2015 e 2025 supera a população de 56 municípios fluminenses

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reprodução

O estado do Rio de Janeiro registrou 56.838 mortes violentas entre 2015 e 2025, segundo o estudo Panorama da Segurança Pública no Estado do Rio de Janeiro, divulgado nesta quarta-feira (5) pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). O levantamento reúne dados históricos do Instituto de Segurança Pública (ISP) e traça um panorama da evolução da criminalidade nas diferentes regiões fluminenses ao longo da última década.

O estudo considera os registros de homicídio doloso, mortes decorrentes de intervenção de agentes do Estado, latrocínio e lesão corporal seguida de morte. Segundo a Firjan, o total de vítimas supera a população de 56 dos 92 municípios fluminenses. Para ilustrar a dimensão da violência, o relatório compara esse número ao desaparecimento completo de cidades como Paraty ou Guapimirim ao longo de dez anos.

Mudança no perfil da criminalidade

Além da violência letal, o estudo identifica uma transformação no comportamento dos principais indicadores criminais no estado.

De acordo com a análise, houve redução dos crimes que dependem da presença física da vítima em espaços públicos, como os roubos de rua e, em diferentes intensidades entre as regiões, os crimes letais. Em contrapartida, cresceram de forma contínua os crimes relacionados a fraudes e golpes, especialmente estelionato e extorsão.

A Firjan destaca que, em 2015, os registros de estelionato representavam menos da metade do volume de roubos de rua. Dez anos depois, a situação se inverteu: em 2025, o número de estelionatos foi 2,6 vezes maior que o de roubos.

Segundo a entidade, essa tendência acompanha um movimento observado em todo o país, mas o avanço desse tipo de crime no Rio ocorre em ritmo superior à média nacional.

Fraudes digitais avançam em todas as regiões

O levantamento mostra que os crimes praticados presencialmente perderam espaço na maior parte do território fluminense, enquanto os golpes aplicados por meios digitais cresceram em todas as regiões do estado.

A Firjan também chama atenção para uma limitação das estatísticas oficiais. O Rio de Janeiro está entre os três estados brasileiros — ao lado de São Paulo e Ceará — que não diferenciam os registros de estelionato eletrônico das demais ocorrências da modalidade.

Para a entidade, essa falta de detalhamento dificulta a mensuração do impacto das fraudes digitais e compromete análises mais precisas sobre a evolução desse tipo de crime.

Roubos de rua caem 36% em dez anos

Os roubos de rua apresentaram queda expressiva na última década. Em 2025, foram registrados 56.865 casos, ante 85.280 ocorrências em 2015, o que representa uma redução de 36%.

Apesar da diminuição, a criminalidade permanece concentrada em poucas regiões. A capital, Duque de Caxias e entorno, Nova Iguaçu e região e o Leste Fluminense concentram 99% dos roubos de rua registrados atualmente no estado.

Segundo a Firjan, os indicadores mostram que a redução foi consistente, mas ocorreu de forma desigual entre as diferentes regiões.

Estelionato cresce 297%

Na direção oposta, os casos de estelionato praticamente quadruplicaram em dez anos. Em 2025, foram registrados 146.981 boletins de ocorrência, o equivalente a uma taxa de 853,4 casos por 100 mil habitantes.

Em 2015, haviam sido contabilizados 35.595 registros, o que representa um crescimento de 297% no período.

Embora a capital concentre cerca de metade das ocorrências do estado, o aumento foi mais acelerado em regiões menos urbanizadas. As maiores altas foram registradas no Centro-Sul Fluminense, Centro-Norte Fluminense e na Região Serrana, com crescimento entre 497% e 709%.

Desafio para a segurança pública

Para a Firjan, a expansão dos estelionatos nas regiões menos urbanizadas demonstra que golpes e fraudes deixaram de ser um problema restrito aos grandes centros e passaram a avançar em municípios onde a estrutura de segurança pública foi historicamente direcionada ao combate da violência de rua.

Na avaliação da entidade, o cenário reforça a necessidade de adaptação das políticas de segurança pública, com investimentos voltados também para o enfrentamento dos crimes digitais e das fraudes eletrônicas.