Os governos estaduais brasileiros gastaram mais de 5 mil vezes mais com as polícias do que com políticas voltadas para pessoas que deixam o sistema prisional. É o que revela a pesquisa “O Funil de Investimentos da Segurança Pública nos Estados Brasileiros”, apresentada nesta quinta-feira (17/09) durante o 20º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Segundo o levantamento, para cada R$ 5.423 investidos nas polícias em 2025, foram destinados R$ 1.169 ao sistema prisional e apenas R$ 1 para programas exclusivos voltados a egressos. O estudo analisou dados de 26 estados e do Distrito Federal. O Acre não participou por não fornecer informações.
Os gastos com as polícias estaduais passaram de R$ 87,5 bilhões em 2024 para R$ 103,5 bilhões em 2025. Desse total, as Polícias Militares receberam R$ 60,7 bilhões, o equivalente a 58,6% dos recursos destinados às forças de segurança. Já as Polícias Civis ficaram com R$ 22,2 bilhões, enquanto as Polícias Técnico-Científicas receberam R$ 2,8 bilhões.
A pesquisa aponta que os estados priorizam o policiamento ostensivo em relação às áreas de investigação e inteligência. Para os pesquisadores, essa distribuição reforça um modelo focado na entrada das pessoas no sistema de justiça criminal.
No sistema prisional, os gastos chegaram a R$ 22,3 bilhões em 2025. De acordo com o estudo, cerca de R$ 13,7 bilhões desse valor foram destinados ao encarceramento de pessoas negras, que representam a maioria da população carcerária do país.
Já os investimentos em políticas para egressos permaneceram praticamente estáveis. Em 2025, os estados aplicaram R$ 19 milhões em programas voltados à reinserção social, contra R$ 18 milhões no ano anterior. Apenas sete unidades federativas registraram investimentos específicos nessa área.
Os pesquisadores destacam que ações voltadas a egressos podem facilitar o acesso a moradia, saúde, educação, emprego e renda, contribuindo para a redução da reincidência criminal e para a reconstrução da vida após o cumprimento da pena.








