Um estudo divulgado nesta terça-feira (27) pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) aponta que, apesar de a incidência do câncer de mama ser menor entre mulheres negras, a mortalidade pela doença é quase quatro vezes maior nesse grupo. A publicação reúne 24 estudos realizados em seis países, incluindo o Brasil.
Segundo a pesquisadora Renata Maciel, chefe da Divisão de Detecção Precoce do Inca, a desigualdade no acesso aos serviços de saúde ajuda a explicar os números. Mulheres negras têm menos acesso a exames para identificar a doença precocemente e ao tratamento.
Dados da Pesquisa Nacional de Saúde mostram que mais de 61% das mulheres brancas realizam mamografias de rastreamento. Entre mulheres pretas e pardas, o percentual varia de 54% a 56%.
O levantamento também aponta que mulheres negras recebem o diagnóstico com maior frequência em estágios avançados e em idades mais jovens. Além disso, apresentam maior incidência de tumores agressivos, como o câncer de mama triplo-negativo, que pode evoluir mais rapidamente e exige tratamento específico.
Para o diretor-geral do Inca, Roberto de Almeida Gil, os resultados reforçam a necessidade de políticas públicas que ampliem o acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento, reduzindo as desigualdades raciais no atendimento às pacientes.








