Um estudo inédito divulgado nesta terça-feira pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) revelou quais são as principais áreas e os padrões de atuação criminosa relacionados ao roubo e à receptação de veículos em todo o estado do Rio de Janeiro. De acordo com os dados apresentados pelo órgão, seis comunidades localizadas na Zona Norte da capital fluminense registram, juntas, os maiores números de recuperação de carros e motos.
O levantamento detalha que as favelas do Chapadão, da Pedreira, do Juramento, de Manguinhos, do Arará e o Complexo da Maré despontam na liderança das estatísticas oficiais. Essas localidades estão mapeadas pela segurança pública entre as áreas geográficas para onde a maior parte dos veículos subtraídos nas vias urbanas fluminenses acaba sendo levada pelos criminosos.
A pesquisa aponta que grande parte da frota roubada ou furtada no estado é localizada pelas forças policiais justamente no interior ou nas proximidades de regiões controladas por organizações criminosas. Segundo os técnicos do ISP, o cruzamento e o mapeamento dessas informações estatísticas devem funcionar como uma ferramenta estratégica fundamental para auxiliar os batalhões de polícia.
A expectativa do governo é que o material permita uma atuação muito mais rápida, cirúrgica e precisa das polícias Civil e Militar tanto na repressão aos assaltos quanto na própria recuperação dos bens dos cidadãos. O relatório traz ainda um panorama consolidado sobre o ano de 2025, mostrando que oitenta por cento dos veículos recuperados se concentraram na capital e em outros quatro municípios específicos.
Essas cidades vizinhas que lideram as estatísticas fora do município do Rio são Duque de Caxias, São João de Meriti, Belford Roxo e São Gonçalo. O estudo do ISP identificou que os crimes ocorrem de forma muito centralizada. Em Duque de Caxias, por exemplo, os registros de roubos e desmanches ficam concentrados em uma área restrita que corresponde a apenas dois vírgula seis por cento de todo o território municipal.
A dinâmica se repete em outras cidades da Baixada Fluminense e do Leste Fluminense. Em São João de Meriti, a mancha criminal ocupa doze por cento do município. Já em São Gonçalo, a taxa de concentração espacial é de cinco vírgula dois por cento, enquanto na cidade de Nova Iguaçu os crimes automotivos ficam circunscritos a apenas três por cento de sua extensão territorial total.
De acordo com a análise dos analistas de segurança, os fluxos de movimentação sugerem que as trajetórias dos automóveis roubados são previamente planejadas ou induzidas. Os criminosos conduzem as motos e carros diretamente em direção a locais específicos de receptação, que variam de acordo com as redes criminosas estruturadas e presentes em cada um dos territórios dominados.
O monitoramento detalhado trouxe um dado considerado positivo para os donos de automóveis: o tempo de resposta do sistema de segurança e das seguradoras. O levantamento indica que noventa e dois vírgula dois por cento dos automóveis e noventa e um vírgula oito por cento das motocicletas roubadas no estado do Rio de Janeiro são devidamente registrados e recuperados em até três dias após a realização do crime.










